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Foto: Arquivo DN

VOTO NO BRASIL

Os jovens, os idosos e o exercício da cidadania nas eleições

REINALDO SILVA

reinaldo@diariodonoroeste.com.br

A esperança de um futuro melhor ilumina os olhos dos jovens e ganha vida através das palavras. Sentados em uma sala de aula, estudantes do Colégio Estadual de Paranavaí debatem ideias, apontam caminhos, apresentam propostas e reconhecem a importância que têm no processo de construção do Brasil.

A inspiração veio de diferentes formas, por diferentes canais de comunicação, mas com um objetivo comum: estimular a participação nas eleições deste ano e ajudar a escolher os representantes do povo nos poderes Executivo e Legislativo, tanto no âmbito estadual quanto no federal.

No terceiro capítulo da série “Voto no Brasil”, o Diário do Noroeste conta a história de adolescentes que decidiram tirar o Título de Eleitor, mesmo não sendo obrigados. Pela lei, o voto é facultativo para quem tem 16 ou 17 anos de idade, regra que também se aplica à população com 70 anos ou mais.

De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Paranavaí tem 64.053 pessoas aptas para participar das eleições de 2022. Desse total, 281 são adolescentes de 16 anos e 402 estão na faixa dos 17 anos. Os idosos com 70 anos ou mais representam grupo maior, ultrapassando a marca de 6.700 eleitores.

Antes dos 18 – Jessilaine Souza Silva não tinha a intenção de fazer a matrícula eleitoral. Mudou de ideia quando ouviu uma palestra organizada pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Subseção de Paranavaí. O trecho que chamou a atenção da estudante de 17 anos comparava: se não escolher o sabor do bolo que vai comer, outras pessoas escolherão por você; assim também é no processo eleitoral em relação à escolha dos candidatos.

Para Thales Eduardo da Silva, o voto requer reflexão. As decisões têm consequências e podem custar caro para o Brasil. “Dependendo de quem escolhermos, vamos sofrer por quatro anos”, diz, referindo-se à eleição para presidente da República. Aos 17 anos, espera que o próximo mandato seja, de fato, voltado aos brasileiros, “para tirar o país do mapa da fome e recuperar a educação”.

Beatriz Seidel Szabo de Melo, 17 anos, também votará pela primeira vez. Quer marcar posição e mostrar que pode, sim, ajudar a definir os rumos da nação. “Quero fazer a diferença.” E quando olhar para frente e perceber que o país está indo para um lugar melhor, saber que ela contribuiu.

Quando tirou o Título de Eleitor, Isadora Alves Martins ainda tinha 17 anos. Agora está com 18, mas ser ou não obrigada a votar não muda o entendimento da estudante. É preciso falar e se fazer ouvir. Participar da eleição é o grito da juventude que espera mudanças na saúde, na geração de empregos, na educação.

Democracia – O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Subseção de Paranavaí, Anderson Donizete dos Santos, analisa: “O voto é o que faz a democracia amadurecer. Através dele, reforçamos o Estado Democrático de Direito”. Ele deposita sobre a juventude as expectativas de um Brasil melhor e mais justo, por isso, propôs as visitas às escolas e incentivou os estudantes a fazerem a matrícula eleitoral.

“Tudo é política. Fazemos política todos os dias: no clube de serviços, na sala de aula, dentro de casa”, pondera Donizete dos Santos. Apesar disso, hordas se organizam para abafar o pensamento crítico e manter a população distante dos debates. Querem desestimular para manipular.

O presidente destaca que a OAB tem a missão institucional de defender a democracia e as instituições que a sustentam. A entidade atua em diversas frentes, por exemplo, com campanhas de combate às notícias falsas, conscientização sobre a compra de votos e incentivo à participação nas eleições.

Brancos e nulos – Donizete dos Santos desmente uma informação bastante comum em épocas de eleição: se os votos brancos e nulos somarem mais de 50%, um novo pleito será convocado. Não é verdade. Para a contagem, consideram-se os votos válidos, ou seja, aqueles destinados a candidatos devidamente registrados junto à Justiça Eleitoral. Brancos e nulos servem apenas para fins estatísticos.

Ele apresenta uma realidade que considera preocupante: mais de 30 milhões de pessoas deixaram de votar nas últimas eleições. O alto número de abstenções interfere no sistema eleitoral e abre margem para que sejam escolhidas pessoas que representam apenas alguns grupos da população. “Quem não vota permite que a decisão seja tomada por outros eleitores”, enfatiza Donizete dos Santos.

Voto consciente – O advogado Paulo Campos, de Paranavaí, é defensor intransigente da democracia e do direito universal ao voto. “Ainda que a gente escolha errado, poder escolher é muito importante.” Lembra que durante o regime militar, que se estendeu de 1964 a 1985, “eles escolhiam, as coisas eram empurradas”, referência ao voto indireto, intermediado pelo colégio eleitoral.

Campos propõe que os eleitores pesquisem e tentem conhecer a história dos candidatos, que ideias defendem, que propostas sustentam. Voto consciente, define, é aquele dirigido ao que se mostra mais bem preparado, com olhar voltado para o desenvolvimento do país. “O escolhido pode não ter todas as qualidade que gostaríamos, mas há outros com defeitos intoleráveis.”

Depois dos 70 – Com a certeza de que contribuem de maneira decisiva com o desenvolvimento do Brasil, os aposentados Benedito Marques e Creide Aparecida Veras Marques, ambos com 78 anos, garantem que só deixaram de votar uma vez, nas eleições municipais de 2020, quando preferiram se ausentar para evitar o risco de contágio pelo coronavírus. Naquele ano, a pandemia de Covid-19 mantinha os números de internamentos e óbitos elevados.

O casal acorda cedo, toma café da manhã e segue para o Colégio Enira Moraes Ribeiro, no Jardim Iguaçu. Os dois votam em sessões separadas, e quem termina primeiro espera o outro. Aproveitam a oportunidade para conversar com velhos conhecidos e saber das novidades.

“Seo” Benedito é firme: “A cidadania é para a gente exercer. Para mim, sempre foi importante votar”. A esposa também é enfática ao defender o direito ao voto, dever de todos os cidadãos. Os dois levam a famosa colinha, com nomes e números dos candidatos escolhidos, “para não esquecer”, diz dona Creide. E sempre que deixam a cabine de votação, levam para casa a satisfação de terem participado da grande festa da democracia.

 

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