Enquanto milhões de brasileiros acompanham a Copa do Mundo pela televisão, José Antônio, morador de Paranavaí, viveu a emoção do torneio dentro dos estádios. Ao longo da vida, ele esteve presente em duas edições: na Alemanha, em 2006, e no Brasil, em 2014, experiências que renderam histórias marcantes, amizades internacionais e até uma forma inusitada de ganhar dinheiro durante os jogos.
A primeira Copa acompanhada presencialmente foi a da Alemanha. Durante cerca de 40 dias no país europeu, percorreu cidades, assistiu três partidas e conheceu de perto o clima que envolve o principal evento do futebol mundial.
“A emoção não é só assistir ao jogo. O que faz a diferença é viver aquilo junto com 60 mil pessoas, todas sentindo a mesma alegria ou a mesma frustração. Isso é indescritível”, resume.

(Foto: arquivo pessoal)
Embora também tenha viajado durante a Copa de 2010, na África do Sul, ele não chegou a entrar nos estádios. Acompanhou as partidas pelos chamados Fifa Fan Fests, espaços oficiais montados para reunir torcedores diante de telões gigantes espalhados por diversas cidades.
Entre todas as experiências, a Copa da Alemanha continua sendo a favorita. Segundo ele, a organização foi exemplar e a proximidade entre as sedes facilitava o deslocamento, permitindo aproveitar melhor o evento. A hospitalidade dos alemães também chamou atenção dele.
Entre tantas lembranças, uma das mais curiosas aconteceu durante um jogo entre Austrália e uma seleção africana. Na Alemanha, os torcedores pagam um valor adicional pelo copo reutilizável da bebida e podem devolvê-lo depois para receber o dinheiro de volta. Ao perceber que muitos estrangeiros abandonavam os copos pelo caminho, ele resolveu recolhê-los.
“Saí de casa com 50 euros no bolso e voltei com cerca de 200 euros. Passei o dia inteiro bebendo chope e ainda ganhei dinheiro juntando os copos que ficavam para trás.”
Se 2006 deixou boas recordações, 2014 ficou marcada pela maior frustração como torcedor: estar no Mineirão durante a derrota do Brasil por 7 a 1 para a Alemanha.
“O silêncio tomou conta do estádio. A torcida alemã era pequena e não fazia tanto barulho. O que predominava eram murmúrios de decepção e incredulidade.”

Apesar do trauma esportivo, ele reconhece que viveu um momento histórico.
“Do 7 a 1 sobrou uma coisa positiva: eu estava lá. Fiz parte da história, mesmo sem nenhuma felicidade por isso.”
As viagens também mudaram sua forma de enxergar outras seleções. O contato constante com torcedores de diversos países fez nascer simpatia por equipes como Croácia e Austrália.
“Lá as torcidas convivem juntas. Você faz amizade com gente do mundo inteiro e acaba torcendo também pela felicidade dessas pessoas. Isso torna a derrota menos pesada.”
Apaixonado por viagens, ele já visitou 92 países e garante que pode voltar a acompanhar outra Copa do Mundo assim que surgir uma oportunidade. Para quem deseja viver essa experiência, o conselho é simples: não desistir por causa da dificuldade de conseguir ingressos.
“Vá, mesmo que não consiga assistir muitos jogos. Os Fifa Fan Fests proporcionam uma experiência fantástica e o convívio com pessoas do mundo inteiro vale tanto quanto a partida dentro do estádio.”




