Acordos de cooperação visam à eficiência no uso de recursos hídricos e ao monitoramento adequado das condições climáticas; o resultado: aumento na produtividade
REINALDO SILVA
Da Redação
Parcerias inéditas entre o governo do Paraná e o Daugherty Water for Food Global Institute, ligado à Universidade de Nebraska, nos Estados Unidos, prometem aumentar a eficiência no uso dos recursos hídricos e, consequentemente, a produtividade agrícola. Um dos acordos de cooperação científica foi formalizado na tarde desta quinta-feira (3) em Maringá.
Fique por dentro de tudo o que acontece em Paranavaí e região! Clique aqui e entre no grupo de WhatsApp do Diário do Noroeste.
Antes, na quarta-feira (2), um grupo formado por representantes da Universidade de Nebraska, do governo do estado e do Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar) visitou municípios da Região Noroeste. O objetivo: conhecer as características das propriedades rurais e as técnicas de irrigação aplicadas em lavouras e pastagens.
Depois de uma reunião técnica no polo de pesquisa do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-PR) em Paranavaí, os visitantes seguiram a Amaporã e Guairaçá a fim de conferir dois modelos de irrigação: pivô central com captação direta do rio (pastagem) e microirrigação com gotejamento de água de poço e reservatório (laranja).

Foto: Ivan Fuquini
De acordo com o coordenador de projetos de extensão rural do IDR-PR, Wesley Santana Passo, as parcerias com o instituto da Universidade de Nebraska – tanto a do governo do estado quanto a do Simepar – resultarão em novas tecnologias para o desenvolvimento sustentável das atividades agrícolas.
Santana Passo explicou que a Região Noroeste foi apontada como prioritária em razão das condições geográficas e climáticas. O solo arenoso e as chuvas irregulares e pouco frequentes têm impacto direto sobre a produção no campo, o que exige sistemas precisos de manejo de irrigação.
Novas tecnologias adaptadas de forma inteligente às necessidades regionais tendem a melhorar os resultados. A gestão eficiente dos recursos hídricos aliada ao monitoramento climático dará suporte ao produtor para a tomada de decisões.
Uma das possibilidades é disponibilizar informações antecipadas sobre ondas de calor e períodos estendidos de seca, para que o produtor possa adequar o sistema de irrigação de modo que não haja danos. Também será possível identificar o volume perdido de água na lavoura e, assim, fazer a reposição sem excessos e desperdícios, inclusive com controle do tempo de irrigação.
Agricultura irrigada – A parceria com a Universidade de Nebraska se concretiza em momento oportuno. Está em trâmite no Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) o processo de reconhecimento do primeiro Polo de Agricultura Irrigada do Paraná, envolvendo toda a área de abrangência da Associação dos Municípios do Noroeste do Paraná (Amunpar).
Haverá disponibilidade de recursos financeiros do governo federal para investimentos em pesquisa e efetivamente nos equipamentos de irrigação em todos os municípios integrantes do polo.
Em recente visita à região, a equipe técnica do MIDR falou sobre a necessidade de tornar a agricultura cada vez mais sustentável e ao mesmo tempo incrementar os resultados, afinal o agronegócio é um dos setores que sustentam a economia do Brasil.
Irriga Paraná – O governo do estado também tem buscado estratégias para explorar o potencial de irrigação no Paraná. Lançado em 2024 em Paranavaí, o programa Irriga Paraná pretende aportar R$ 200 milhões, entre linhas de crédito com juros subsidiados e pesquisa científica.
O Paraná conta com baixo número de áreas irrigadas. Dados da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab) indicam que apenas 3% da área utilizada para lavouras conta com sistema de irrigação, o equivalente a 170 mil hectares. Desse total, 100 mil hectares ficam no Noroeste, onde há menor disponibilidade de água e temperaturas mais elevadas.