O relato de um adolescente foi reproduzido pelo delegado da Polícia Federal e chefe de operações Alexander Dias. “Eu estava batendo caixa [gíria usada para a travessia ilegal de caixas de cigarro pelo rio] na madrugada. Depois que ouvi essa palestra, deixei o crime e comecei a estudar.”
A palestra “Escolhas” faz parte de um projeto desenvolvido pela PF, que já chegou a mais de 30 municípios paranaenses em dois anos. O objetivo é mostrar para estudantes – adolescentes e jovens – que a dignidade se constrói longe da criminalidade e é possível prosperar sem infringir a lei.
Nesta terça-feira (20), a iniciativa da PF chegou a Paranavaí pela segunda vez, a partir de uma parceria com o Observatório Social e o Núcleo Regional de Educação. Os policiais federais conversaram com alunos do Colégio Estadual Professor Bento Munhoz da Rocha Neto (Unidade Polo) em palestras ministradas de manhã e à noite.
O delegado Alexander Dias, que é de Paranavaí, explicou: “A gente atua muito na área de repressão. A gente verificou, após algum tempo, que poderia contribuir um pouco na área de prevenção, de formação dos jovens, para que a gente mostrasse algumas escolhas que a gente fez que possam ajudá-los de alguma forma”.
A iniciativa surgiu em Icaraíma, município da região Noroeste do estado, banhado pelo rio Paraná, na divisa com Mato Grosso do Sul. Trata-se de uma área que sofre grande influência do crime organizado, e, por isso, “muitos jovens eram arregimentados”, conforme aponta Dias.
O resultado positivo do projeto motivou a expansão para outras partes do território paranaense, inclusive em Querência do Norte, no extremo-noroeste, que apresenta características geográficas semelhantes às de Icaraíma, por serem cidades vizinhas.
“Hoje, a nossa superintendência abraçou o projeto e está tentando expandir para outras unidades. Guaíra já faz isto, chama crianças e jovens para as delegacias para tentar aproximar também a Polícia Federal dessa parte jovem da população”, diz o delegado da PF.
Após as palestras, os estudantes têm a chance de fazer perguntas, compartilhar experiências e descobrir caminhos para se informar. “[Isso] mostra o interesse deles. A palestra gera uma abertura de olhar que provavelmente eles não tinham antes.”


















