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ALAP

Ponderando

Vamos aqui colocar os pingos nos iiiisssss…

Pegar as pessoas inadimplentes e transformá-las em meliantes!

Um pai de família, homem de bem… nunca teve problemas com a justiça, ganha pouco mais que dois salário mínimo por mês, trabalhando como metalúrgico. Com muito custo conseguiu uma casinha da Cohab e pagando um valor “xis” mensal de parcela, não podendo deixar acumular porque era como se fosse um aluguel que não podia falhar, porque se não trouxer as parcelas em dia corre o risco de perder sua casinha, contando com a água, a luz e o gás que também é são necessários estar em dia todo santo mês. Junto com ele moram a esposa e três filhos, e a sogra que está bem velhinha, todas as crianças menores de idade, inclusive uma ainda mama, não comem muito bem, pois além de a esposa trabalhar de lavadeira de roupas uma boa parte do dia, o dinheiro que eles ganham em seus empregos, se torna pouco.

E a farmácia da idosa, que também entra no páreo mensal, todavia precisam de remédios para as crianças que sempre estão gripados ou com alguns vermes, ainda mais que os postinhos de saúde nem sempre disponibilizam todos os tipos de medicamentos.

Tentaram, mas não conseguiram o bolsa família, porque o programa do governo não lhes dá o direito de entrar no grupo seleto dos que necessitam, este é o motivo de serem julgados pelo sistema federal de como não estar no grupo de extrema pobreza, sendo assim o vale gás também não vem.

Através de um acerto de contas na empresa onde trabalha conseguiu um dinheirinho extra e comprou um carrinho simples para levar a família a igreja ou ao supermercado, não podia nem passear com seus filhos ou ir para o trabalho motorizado porque as condições não lhe cabiam.

Quando adquiriu o veículo já havia três anos que o antigo dono não pagava os impostos, ficando assim na proposta de que ele pudesse acertar essa dívida assim que o transferisse para seu nome. Conseguiu com muito custo, ajuntando uns troquinhos aqui e outros ali a organizar a situação de sua CNH que estava já atrasada e pagar a última parcela na Auto Escola.

Portanto aumentaram as despesas por conta do veículo, mas a felicidade que imperava neles era muito grande por terem conseguido adquirir o carro, os gastos, eram como se fosse uma outra família, eram terríveis porque sempre havia necessidade de trocar algumas peças, um pneu, teriam que abastecer para manter o carro andando, além disso a preocupação de atualizar os documentos do carro aumentava e só andava com tanque quase vazio.

O ano se passava, e as eleições chegaram, promessas de dias melhores, comida boa, churrasquinhos e o novo governo assumiu o poder e no ano seguinte apesar de promessas e mais promessas, não houve melhoras para ninguém.

Entrou com aumento em todos os setores, alimentos, combustíveis, remédios e outros mais, houve cortes e gastos exorbitantes em tudo e até onde não tinha muita importância, teve acréscimo. Impostos e mais impostos, foram criados e o povo só reclamava, mas não tinham para onde correr.

Alguns meses se passaram e Renato foi parado numa blitz militar, deu sorte que era um amigo policial que estudaram juntos quando mais novo, ali fez promessa de que na próxima estaria com a documentação tudo em ordem e que iria regularizar já no final do mês.

O comandante tinha falado que era para não liberar quaisquer veículos que estivesse com as documentações atrasadas e punir o motorista que estivesse inadimplente nessa situação.

O soldado foi punido!

Saiu a tardezinha falando para esposa que iria resolver um assunto na casa de um amigo. A hora se passou e foi noite adentro, Letícia, após a labuta do dia-a-dia e vencida pelo cansaço, deitou junto as crianças e dormiu.

Um barulho estranho em frente de sua casa!

Quatro horas da manhã policiais de viaturas chamavam por Renato em seu lar, Leticia assustada saindo para fora disse que ele tinha saído e não havia chegado. Perguntaram onde ele estava, ela não soube responder.

Pronto acabou o sossego e entrou o desespero e qualquer movimento que acontecida na casa o bairro estava atento.

O pequenino acordou, começou a chorar a mãe tentando acalentar e o dia amanheceu. Vizinhos… ah os vizinhos comentavam sem parar…

Uma viatura em casa e Letícia foi chamada ao mini presídio para levar roupas ao marido que tinha assaltado uma loja juntamente com alguns amigos.

Maldita câmera os denunciou!

Fonte: Osiaste Tertuliano de Brito

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