O litro do leite longa vida está mais caro nos supermercados de Paranavaí. A variação foi de quase 20% nas últimas duas semanas, e os preços já passam dos R$ 5, podendo chegar perto dos R$ 6 em alguns casos.
O aumento tem explicação. De acordo com o economista João Ricardo Tonin, os constantes reajustes para cima na cotação do boi gordo forçaram os produtores a recalcular a rota e investir no abate em detrimento da pecuária leiteira.
Para ilustrar essa mudança de cenário, o Diário do Noroeste recorreu aos registros feitos pela equipe regional da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab).
Em 20 de outubro de 2025, a arroba do boi em pé custava R$ 310. Um mês depois, em 20 de novembro, R$ 320. Em dezembro, R$ 325, valor que se manteve até meados de fevereiro deste ano. A partir de 20 de fevereiro, o preço ficou na casa dos R$ 335. Ontem (25), a média ficou em R$ 345.

Foto: Ivan Fuquini
Médico veterinário da Seab, Thiago De Marchi atua no Departamento de Economia Rural (Deral). Ele afirmou que ao longo de 2025 os pecuaristas de leite receberam abaixo da normalidade, mesmo diante da superprodução – 10% a mais do que no ano anterior.
O período de entressafra também pesa na conta. Segundo De Marchi, é comum que haja aumento entre março e abril – à exceção de 2025, considerado um ano atípico. E a tendência é que os próximos meses tragam novos preços. Durante o inverno, as pastagens ficam comprometidas e os produtores precisam fazer o confinamento dos rebanhos, o que eleva os custos.
Resultados menores no campo pressionam o mercado e os valores sobem. Pouco a pouco, o consumo cai. Conforme analisou o economista Tonin, a retomada do equilíbrio entre oferta e procura pode levar alguns meses.
O problema é que o leite faz parte do dia a dia dos brasileiros. Em 2025, o consumo foi de 188 litros anuais por habitante, crescimento de 53% em relação a 1996. Os dados são da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).
Além do leite in natura, Tonin citou alimentos que podem afetar o bolso dos paranavaienses com a alta dos preços, por exemplo, pães, bolachas e bolos. “O consumidor final vai sentir a variação.”
A orientação do economista é clássica, e nunca é demais lembrar: “Faça pesquisas, busque opções mais baratas, encontre alternativas”. Mesmo que seja preciso comprar em locais diferentes daqueles de costume. Especialmente porque, segundo analisou, a tendência é de novos reajustes ao longo dos próximos meses.




