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CRÔNICAS DO BEM

Quando algo dá errado

De uma coisa tenho certeza: quando algo dá errado, parece que não há milagre que conserte. A culpa nos chega tão violenta quanto porta aberta pela tempestade, e nos empurra à procura dos porquês.

Por que fiz isso? Dessa forma? Agora? Por quê?

Pensamentos que nos levam automaticamente a procurar a bendita conjunção subordinativa condicional ‘se’, que odiávamos nas aulas de Língua Portuguesa.

Surge então o ‘e se’, duas palavras pequenas que carregam um peso enorme, a forçar para baixo nossa cacunda. 

E ficamos a remastigar a dor de ter errado, sem poder engoli-la. 

Que nunca sofreu com o peso da consciência? Quem nunca sofreu com a responsabilidade de um erro?

“E se eu tivesse cumprido a promessa? E se eu tivesse dito como eu me sentia? E se eu tivesse percebido mais cedo? E se eu tivesse estudado mais? E se eu não tivesse saído naquela noite? E se eu tivesse dito sim? E se meu sonho virasse verdade? E se eu recebesse um SMS logo? E se eu tivesse me levantado antes? E se eu não tivesse jogado aquele papel fora? E se, e se, e se.” 

Que a atire a primeira mentira, quem disser que não passou por essa dor.

Há solução que nos tire rapidamente esse transtorno que nos cobra os erros?

Embora não seja fácil, há. Mesmo porque não se aprende com o erro, mas com a sua correção.

Como? Reconhecendo o erro. É fácil? Não.

Esse reconhecimento exige o que se poderia chamar de ‘poda da própria crista’. 

Sim, a poda imediata da vaidade, do orgulho e da soberba. Simples de dizer, mas coisa que requer uma coragem de herói. É a humildade. Ela, e só ela, conduz ao reconhecimento do erro.

Esse reconhecimento gera outra coragem. E bastará seguir, sem questionar, por esse caminho multifurcado que se abrirá. E daí?

Bastará seguir as setas que o próprio caminho indicará em direção aos trilhos da coragem, da humildade, do aprendizado. Nessa sequência. Passo a passo.

Até se dar conta de que o erro só cabe a quem faz, e que ele é tão natural quanto o acerto.

Coisas simples de se dizer, mas que custam muito quando nos vemos grudados àquela conjunção subordinativa condicional do “e se” a questionar os porquês, cujas respostas só nós, no íntimo, sabemos.

Para lembrar que o passado não move a moenda. Quem a move é a sede de quem busca a garapa.  

Fonte: Renato Benvindo Frata

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