Com a celebração da Quarta-feira de Cinzas, a Igreja Católica dá início ao tempo da Quaresma, período de 40 dias de preparação para a Páscoa. Em 2026, além do chamado à conversão pessoal, os fiéis também são convidados a refletir sobre a Campanha da Fraternidade, que traz como tema “Fraternidade e Moradia”.
Para o bispo da Diocese de Paranavaí, Dom Mário Spaki, a Quaresma é um tempo especial de transformação. “A Quaresma é um tempo forte de conversão e de renovação interior. Observe-se como a Quaresma marca também a sociedade, para além da Igreja. Durante quarenta dias, a Igreja nos convida a voltar o coração para Deus, reconhecendo nossas fragilidades e confiando em sua misericórdia”, afirmou.
Segundo ele, o período conduz os cristãos ao centro da fé. “É um caminho espiritual que nos conduz à Páscoa, centro da nossa fé, quando celebramos a vitória de Cristo sobre o pecado e a morte. Trata-se de um período de graça, no qual somos chamados a crescer na fé, na esperança e na caridade.”
Oração, jejum e caridade
Para viver bem esse tempo, Dom Mário reforça a importância das práticas tradicionais propostas pela Igreja. “A Igreja nos propõe três práticas essenciais: oração, jejum e caridade. Nenhuma dessas três práticas caiu em desuso, muito pelo contrário, vemos crescer a busca de momentos de oração, retiros. Na Diocese de Paranavaí teremos 13 acampamentos nesse Carnaval”
O bispo também destacou o valor do jejum e da solidariedade em um contexto contemporâneo. “O jejum nos ajuda a exercitar o autocontrole e a liberdade interior e como isso é necessário nesses tempos da cultura digital e a caridade nos abre ao cuidado concreto com os irmãos e irmãs, sobretudo os mais necessitados.”

Ele recomenda ainda a participação ativa na vida sacramental da Igreja. “Recomendo também a participação na Eucaristia, a escuta atenta da Palavra de Deus e a busca pelo Sacramento da Reconciliação, como passos concretos nesse caminho de conversão.”
Fraternidade e Moradia – Neste ano, a Campanha da Fraternidade coloca em pauta a questão da moradia como direito fundamental. Dom Mário chamou atenção para a realidade social brasileira. “Observei que no Brasil o salário pago aos trabalhadores em geral prevê basicamente a alimentação, mas não inclui recursos para a construção de uma casa. Assim, temos os casais novos que recebem uma moradia em herança ou então vão para aluguel. Mas há famílias avançadas em anos sem uma casa própria: eis a questão da moradia que a Igreja deseja refletir como um direito fundamental e expressão da dignidade humana.”
Para ele, a discussão vai além da estrutura física. “Ter um lar não é apenas possuir uma construção física, mas ter um espaço de proteção, convivência e desenvolvimento da família. A fraternidade cristã nos impele a olhar para aqueles que vivem em condições precárias e a assumir uma postura de solidariedade e compromisso com a promoção da vida digna para todos.”
Realidade local e compromisso social
Ao justificar a escolha do tema para 2026, o bispo ressaltou o compromisso social da Igreja. “A Igreja, fiel à sua missão evangelizadora, também se coloca atenta às realidades sociais que afetam diretamente a vida do povo. A questão da moradia é um desafio presente em muitas comunidades e revela desigualdades que precisam ser enfrentadas. Ao propor essa reflexão, a Igreja deseja iluminar essa realidade à luz do Evangelho, despertando consciência, diálogo e ações concretas em favor dos que mais sofrem.”
Ele também destacou que a situação não está distante da realidade regional. “De imediato encontraremos quem afirme que em nossa região não há o problema da moradia, mas basta levantarmos do nosso sofá e percorrermos as periferias de nossas cidades e ali encontraremos famílias que enfrentam dificuldades relacionadas à habitação, seja pela precariedade das moradias, seja pela falta de acesso a condições adequadas de infraestrutura.”
Segundo Dom Mário, o tema é um chamado à ação concreta. “Esse tema nos interpela a fortalecer a solidariedade entre as comunidades, incentivar iniciativas sociais e colaborar com políticas públicas que promovam justiça e dignidade. A Igreja local deseja ser presença próxima e comprometida com essas realidades.”
Caminho de recomeço
O bispo também deixou uma mensagem aos fiéis neste início de caminhada quaresmal. “Que vivamos este tempo com sinceridade de coração e espírito de conversão. A Quaresma é oportunidade de recomeço, de reconciliação com Deus e com os irmãos. Peço que cada fiel da Diocese de Paranavaí assuma esse caminho com fé, esperança e compromisso concreto com a fraternidade.”
E concluiu: “Que a caminhada quaresmal nos prepare para celebrar uma Páscoa verdadeiramente transformadora em nossa vida pessoal, familiar e comunitária.”



