Os governadores Ratinho Junior e Eduardo Riedel receberam oficialmente, neste sábado (21), o anteprojeto da nova ponte que vai ligar os estados do Paraná e Mato Grosso do Sul. A ligação está prevista entre São Pedro do Paraná e Taquarussu e é considerada estratégica para o desenvolvimento regional.
O projeto foi elaborado pela Associação Comercial de Maringá e prevê uma ponte com cerca de 2 quilômetros de extensão. Também contempla a restauração de 19,8 quilômetros da PR-577, a construção de um contorno no Porto São José, a implantação de 30 quilômetros da rodovia MS-473 e a construção de um viaduto de acesso em Taquarussu. O investimento estimado é de aproximadamente R$ 1,37 bilhão.

Nova rota e impacto logístico
Durante o evento, Ratinho Junior destacou que a obra tem potencial para transformar a logística entre os estados, criando uma nova rota de escoamento da produção.
“É uma transformação da realidade atual, tanto do Mato Grosso do Sul quanto do Paraná, porque ela cria uma nova rota de desenvolvimento. Hoje, os caminhões que vêm do Mato Grosso do Sul precisam fazer um desvio de cerca de 100 quilômetros. Com a ponte, esse trajeto será encurtado, o que traz ganho de tempo e redução de custos”, afirmou.
O governador também ressaltou o esforço conjunto para que o projeto avançasse até essa etapa. “Foi um trabalho demorado, com investimento por parte do setor produtivo para a elaboração do anteprojeto, que agora é doado aos estados. A partir disso, passamos a assumir as próximas etapas, com responsabilidade técnica e jurídica”, explicou.

Próximas etapas
Ratinho Junior detalhou que o próximo passo será a realização dos estudos ambientais, etapa essencial para viabilizar uma obra desse porte. “Agora vamos contratar o estudo ambiental. Esse tipo de levantamento geralmente leva cerca de 12 meses, porque precisa considerar todas as estações do ano. Pode ser que esse prazo seja reduzido, dependendo das informações já disponíveis sobre a região, mas trabalhamos com essa média”, disse.
Após essa fase, será possível avançar para o processo de licitação. “Com o estudo aprovado e as licenças em mãos, partimos para a licitação, que costuma levar entre 60 e 90 dias. A partir daí, conseguimos dar andamento à execução da obra”, completou.
Desenvolvimento econômico e turismo
O governador também destacou que os impactos da ponte vão além da logística, atingindo diretamente o desenvolvimento econômico e o turismo regional.
“Estamos falando de uma região com forte produção agropecuária, tanto do lado do Mato Grosso do Sul quanto do Paraná, especialmente no Noroeste, com produção de laranja, carne bovina e o setor sucroalcooleiro. E temos um crescimento expressivo do turismo de lazer, com cidades como Porto Rico, Porto São José, Porto Camargo e Porto Maringá se desenvolvendo cada vez mais”, afirmou.

Segundo ele, a nova ligação deve ampliar o fluxo de visitantes. “Essa ponte vai facilitar o acesso e atrair ainda mais turistas, principalmente do Mato Grosso do Sul, que já frequentam a nossa orla do Rio Paraná. Com a redução de 100 quilômetros no trajeto, isso tende a crescer significativamente”, destacou.
O governador Ratinho Junior também comentou sobre a necessidade de adequações na PR-577 diante do aumento previsto no fluxo de veículos pesados, destacando o cuidado com a vocação turística da região. “Há uma previsão de melhorias, até porque o fluxo de veículos pesados deve ser deslocado para cá, e é uma região turística, onde muita gente vem para aproveitar as prainhas. Então precisamos conciliar isso. A BR-376 já começa a duplicação a partir do ano que vem, dentro das concessões, o que já é um avanço importante”, disse.
Obra histórica e mobilização regional
O secretário das Cidades do Paraná, Guto Silva, destacou o caráter histórico da iniciativa. “É uma obra histórica para toda a população. Essa conexão entre os dois estados mostra a força do Brasil e o quanto a união de esforços pode gerar grandes transformações”, afirmou.
A construção da ponte é resultado de uma mobilização que começou ainda em 2013, envolvendo entidades e lideranças regionais. O presidente da Sociedade Civil Organizada do Paraná, Demerval Silvestre, lembrou que o projeto é fruto de um trabalho coletivo. “É um sonho antigo que agora começa a se concretizar. Foi uma luta de muitos anos, envolvendo sociedade civil, governos e o setor produtivo. Agora seguimos trabalhando para viabilizar a execução da obra”, disse.

Já o presidente da União das Entidades do Noroeste Paranaense, Jorge Bezerra Guedes, destacou o impacto direto para a região. “Esse é um passo muito importante para o desenvolvimento do extremo Noroeste. A ponte vai melhorar a logística, fortalecer o turismo e ajudar a consolidar esse novo momento da região, que deixa de ser vista como fim e passa a ser reconhecida como início do Paraná”, afirmou.




