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Deusdete foi sepultado no Cemitério Municipal de Paranavaí - Foto: Ivan Fuquini

ADEUS

Sob chuva, flores e lembranças, Paranavaí se despede de Deusdete Ferreira de Cerqueira

Amigos e lideranças lembraram a trajetória do pioneiro e ex-prefeito durante a despedida marcada por homenagens, música e emoção

A capela da Prever ficou pequena para a despedida de Deusdete Ferreira de Cerqueira. Na tarde dessa segunda-feira (22), dezenas de coroas de flores ocuparam a sala onde o corpo era velado, e tantas outras precisaram ser colocadas nos corredores da área comum. Do lado de fora, o tempo fechado e as pancadas de chuva que iam e voltavam ao longo do dia acompanhavam o clima de emoção na despedida do pioneiro e ex-prefeito de Paranavaí.

Entre os amigos e nomes da vida pública que passaram pelo velório, o sentimento era de gratidão pela trajetória de Deusdete. Ex-prefeito, José Augusto Felippe lembrou a convivência com ele desde o tempo em que Deusdete presidia a Sociedade Rural do Noroeste do Paraná. “Foi um casamento legal do poder público com a Sociedade Rural, com grandes conquistas para Paranavaí”, disse. Para ele, a atuação no campo e a capacidade de gerir grandes obras ajudaram a projetar o nome de Deusdete para a Prefeitura. “Ele emprestou o nome dele para Paranavaí.”

Ex-presidente da Câmara, Nivaldo Mazzin recordou o período em que Deusdete precisou enfrentar mudanças difíceis na legislação logo no início da gestão. “Ele enfrentou muitos desafios, mas venceu todos”, resumiu. Segundo Mazzin, mesmo sendo firme, Deusdete sabia ouvir e negociar. “Era uma pessoa muito trabalhadora, muito honesta. Nunca teve um projeto desaprovado na Câmara, mesmo lidando com a oposição.”

Também ex-prefeito de Paranavaí, Rogério Lorenzetti destacou a marca pessoal deixada por Deusdete. “O grande legado dele, além da família que deixou, é a honestidade. Era um homem de princípio correto”, pontuou. Para Lorenzetti, Paranavaí perde uma das figuras mais ativas e respeitadas da sua história.

Natural da Bahia, Deusdete chegou a Paranavaí em 1952 e construiu no município uma trajetória ligada ao agronegócio, ao associativismo rural e à política. Foi prefeito entre 2001 e 2004 e se tornou uma das referências entre os pioneiros da cidade.

Na saída da capela, o caixão foi acompanhado pelo som do violão e da canção “Tocando em Frente”, clássico de Almir Sater e Renato Teixeira, que fala sobre o tempo, as dores da vida e a sabedoria de seguir adiante. Já no cemitério, a bandeira de Paranavaí que envolvia o caixão foi retirada antes do sepultamento.

Representando o município, o vice-prefeito Pedro Baraldi entregou a bandeira à família e resumiu o sentimento da despedida: “Colocou o nome na história de Paranavaí e vai ficar para sempre na lembrança de todos. Pelas obras, mas acima de tudo pelas ações.”

Fonte: Gabriel Trevisan

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