Nada é por acaso. Ainda menina, ela dava aulas às crianças da vizinhança. Todas ficavam ali, sentadinhas em caixotes, e esperavam, ansiosas, para aprender novas lições. A lousa improvisada, o giz adquirido na venda da equina e o desejo de ensinar eram as ferramentas de que dispunha.

Foto: Ivan Fuquini
A brincadeira era levada a sério. A pequena professora imprimia dedicação em cada conteúdo e distribuía saberes.
O tempo foi passando e, mesmo com poucas condições financeiras, ela conseguiu chegar à faculdade. O ensino superior confirmou o sonho que a acompanhou durante toda a vida: “Obtive a certeza de que seria realmente professora”.
A história resumida em cem palavras talvez não seja suficiente para traduzir o amor dispensado por Gersonita Elpídio dos Santos em 40 anos de profissão. Atuou na rede pública de educação e na Universidade Estadual do Paraná. Hoje, aposentada, enfeita as lembranças com coraçõezinhos e pérolas.

“O sol nem bem nascia, lá estava preparando aulas, fabricando materiais pedagógicos, construindo possibilidades. Trabalhei com crianças especiais, ensino fundamental e médio e terceiro grau. Movimento era a palavra de ordem!”
São lições que o dinheiro não compra e o tempo não pode apagar. “Viajava para outras cidades para aprimorar e atualizar as propostas que pudessem favorecer o melhor aprendizado dos educandos. Ensinava e aprendia com eles e para eles.”
A comparação poética, esta, sim, talvez seja a mais adequada para revelar aquilo que leva com carinho, por onde quer que ande, dentro do coração: “Assim, tal qual as conchas que desafiam o grão de areia para construir as pérolas, escolhi a profissão que é capaz de formar outros profissionais”.
Membro fundadora da Academia de Letras e Artes de Paranavaí (Alap), a professora Gersonita recorre às palavras da poetisa brasileira Helena Kolody para homenagear os colegas de profissão.
Quem vai cantado
Não vai sozinho.
Dançam em seu caminho
o sonho e a canção.
Águas profundas
Leva tempo até que a pérola esteja pronta para sair da concha, deixar as águas profundas e encontrar a luz do dia. Assim também é com a educação. Cada etapa da vida impulsiona até a superfície. Um dia de cada vez.
A professora Caroline Garrido Moreno dá aula de Educação Digital na Escola Municipal Cecília Meireles, em Paranavaí. Ela ensina, indica os caminhos e ajuda os alunos a construírem a própria história.

Foto: Ivan Fuquini
Tão importante quanto o conteúdo pedagógico, “eles aprendem a ser cidadãos, eles aprendem a esperar, eles aprendem a respeitar”. “E quando a gente vê o crescimento deles a cada dia, na disciplina e enquanto pessoas mesmo, é muito encantador.”
É claro que vencer os desafios do oceano requer esforços. “É uma profissão muito desafiadora, a gente nunca sabe o que pode acontecer, mas também é a profissão mais gratificante. Receber o carinho dos alunos e acompanhar a evolução deles não têm preço.”
E se o objetivo é homenagear os professores neste dia 15 de outubro, então que falem as pérolas.
José Pedro, 11 anos: “A professora é importante para ensinar, para a gente aprender as matérias e sair da escola sabendo tudo”.
Ryan Miguel, 10 anos: “A importância da professora é ensinar a gente, porque na vida a gente precisa de muita inteligência para não sofrer”.
Lívia Maria, 10 anos: “A professora nos ajuda a conviver melhor, a ser um cidadão bom para a sociedade e nos ensina muitas coisas que a gente não sabe”.
Alice Sanches, 10 anos: “Se as professoras não estivessem aqui para nos ensinar, a gente não teria capacidade de se desenvolver e aprender as coisas”.
















