(44) 3421-4050 / (44) 99177-4050

Mais notícias...

Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors

Mais notícias...

Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors
Compartilhe:
Foto: Ivan Fuquini

COMÉRCIO EXTERIOR

Taxação anunciada pelos Estados Unidos afeta indústrias de Paranavaí

Aumento de 50% na alíquota para produtos brasileiros preocupa o setor produtivo, que espera solução rápida e diplomática para a guerra tarifária

REINALDO SILVA

Da Redação

Paranavaí é responsável por 12% da produção brasileira de suco de laranja para exportação. Em 2024, as vendas para o exterior alcançaram a marca de USD 127 milhões, dos quais USD 10,9 milhões resultaram das negociações com os Estados Unidos. 

No ranking nacional, o município está entre os 60 com maior volume de comercialização internacional, e 81% do total produzido em Paranavaí tem origem na indústria de transformação da laranja. Outros 10% são óleos essenciais, também provenientes da citricultura.

Diante da grandeza da cadeia produtiva citrícola para a economia local, e considerando também os outros segmentos, os novos rumos da relação comercial entre Brasil e Estados Unidos se mostram perigosos. 

81% da exportação de produtos de Paranavaí tem origem na indústria de transformação da laranja
Foto: Agência Estadual de Notícias

O secretário municipal de Desenvolvimento Econômico e Turismo, Carlos Henrique Scarabelli, manifestou preocupação com o anúncio feito pelo presidente norte-americano, Donald Trump, de aplicar taxação adicional de 50% sobre os produtos brasileiros a partir de 1º de agosto.

“Estamos acompanhando os desdobramentos dessa negociação internacional, porque vai afetar de forma direta a indústria de Paranavaí. Esperamos que seja o menos impactante possível, que não interfira e não prejudique a economia de Paranavaí.”

Na justificativa para o aumento da alíquota, Donald Trump mencionou o processo judicial que investiga o ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. Apesar do discurso incisivo, ele disse estar disposto a negociar futuramente com o governo brasileiro.

Em entrevista ao Jornal Nacional (TV Globo), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que está pronto para buscar soluções diplomáticas que sejam menos danosas para os dois países, mas reforçou que não aceitará a interferência dos Estados Unidos sobre as decisões que dizem respeito apenas às instituições brasileiras. Lula também ameaçou taxar igualmente os produtos estadunidenses.

Entidades

Diante da guerra comercial que se desenha, a inquietação da indústria nacional e dos demais setores produtivos pode ser sintetizada nas palavras da Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas). Em nota, a entidade afirmou:

“Essa preocupação se deve à relevância do volume de negócios com frutas entre o Brasil e os EUA, que gerou, em 2024, o expressivo valor de USD 148 milhões para o setor e para a economia brasileira, com tendência de um desempenho ainda melhor em 2025.”

O número nacional demonstra que os EUA têm sido um parceiro importante para a fruticultura brasileira, e que as relações comerciais entre exportadores brasileiros e importadores norte-americanos são pautadas por respeito mútuo, equilíbrio e elevado nível de profissionalismo.

A Federação das Indústrias do Estado do Paraná publicou: “Diante da perplexidade gerada pelo anúncio da taxação de 50% sobre produtos brasileiros que será imposta pelos Estados Unidos a partir de 1º de agosto, a Fiep avalia quais serão os possíveis impactos para diferentes segmentos do setor industrial paranaense”.

A entidade disse que aguarda o posicionamento do governo brasileiro, “esperando que sejam abertos canais de diálogo efetivos para se buscar a anulação dessa taxação, evitando-se assim prejuízos imensuráveis para a economia nacional”.

Exemplo local

A indústria Zanoni Equipamentos, de Paranavaí, fabrica produtos em aço inoxidável para aeronaves internacionais e nacionais. 80% dos componentes são para aviões agrícolas e 20% para máquinas de pulverização terrestre.

As exportações representam 20% do volume de produção, sendo metade desse percentual destinada aos Estados Unidos, país com o qual mantém parcerias comerciais desde 2017. A estimativa é que 95% dos aviões agrícolas de lá tenham alguma parte do sistema da Zanoni Equipamentos.

Expectativa é que os dois países encontrem solução diplomática que não comprometa a produção industrial
Foto: Ivan Fuquini

O gerente comercial da empresa, Juliano Mastella da Silva, avaliou que a taxação de 50% sobre os produtos brasileiros terá impacto negativo nas vendas para os Estados Unidos. Para ele, a guerra tarifária teria “consequências muito pesadas” não só para o setor em que atua, mas para a economia de forma geral. Para a empresa, especificamente, uma das possibilidades seria a interrupção do projeto de expansão em território norte-americano.

Juliano Mastella da Silva teme que haja consequências pesadas para a economia
Foto: Ivan Fuquini

O gerente de negócios internacionais, Lucas Cabral Zanoni, disse que não espera reflexos sobre o volume de produção, já que 80% abastecem o mercado nacional, sendo os principais compradores os estados de Mato Grosso do Sul e Bahia. Nessa perspectiva, também não haveria necessidade de demitir funcionários; hoje são 85 pessoas. 

Se o anúncio de Donald Trump se concretizar, a empresa terá como alternativas encontrar um país com taxas mais baixas que intermedeie as vendas ou estabelecer uma sede operacional dentro dos Estados Unidos – essa opção, pouco vantajosa financeiramente.

Zanoni e Silva contaram que as maiores vendas para clientes estadunidenses são concretizadas no início do ano. A de 2025, portanto, não teve a incidência da nova alíquota. A de 2026 já teria. De maneira imediata, as negociações em andamento com duas empresas do setor – Air Tractor e Thrush – devem sofrer atrasos. 

Lucas Cabral Zanoni afirma que a empresa já estuda estratégias alternativas 
Foto: Ivan Fuquini

Expectativa

Apesar da apreensão, o secretário de Desenvolvimento Econômico e Turismo de Paranavaí demonstrou ter esperança na solução do problema. “A gente acredita que até agosto o governo federal [brasileiro] e o governo dos Estados Unidos possam chegar a um acordo viável, para que a economia de Paranavaí e a do Brasil não sejam prejudicadas. Estamos aguardando ansiosos para que seja feito o melhor possível.”

Compartilhe: