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Foto: Ivan Fuquini

DIA DO TRABALHADOR

Trabalho vive transformação marcada por tecnologia, informalidade e debate sobre direitos

Especialistas analisam o cenário atual do mercado de trabalho, os impactos das novas relações profissionais e os caminhos para mais dignidade e equilíbrio

Celebrado em 1º de maio, o Dia do Trabalhador segue atual e necessário em um cenário marcado por profundas transformações nas relações de trabalho. Entre avanços tecnológicos, mudanças nas formas de contratação e discussões sobre qualidade de vida, o Brasil vive um momento de transição que combina oportunidades e desafios.

Para a socióloga e professora Verônica Yurika Mori, o debate sobre o futuro do trabalho não pode se limitar à inovação tecnológica sem considerar questões estruturais da sociedade brasileira. “De nada vai valer o avanço da tecnologia se não conseguirmos mudar certos resquícios da nossa cultura escravocrata”, afirma. Segundo ela, ainda há uma lógica que divide trabalhadores entre aqueles que servem e aqueles que são servidos, reforçando desigualdades históricas.

A especialista também aponta críticas ao que chama de fortalecimento do discurso meritocrático aliado a políticas neoliberais. “Isso reforça a ideia de privilégios em vez de direitos e leva muitos jovens a acreditarem que o empreendedorismo precarizado é melhor do que um emprego formal”, observa.

Informalidade e precarização – A informalidade continua sendo uma realidade significativa no país. Para Mori, esse cenário está diretamente ligado à flexibilização das leis trabalhistas. “A ideia de que o trabalhador pode negociar diretamente com o empregador gera, na prática, precarização do trabalho e da dignidade humana”, explica.

Foto: Ivan Fuquini

Sindicato dos Comerciários – Essa visão é compartilhada, sob outra perspectiva, pela presidenta do Sindicato dos Empregados no Comércio de Paranavaí (Sindoscom), Leila Aguiar. Ela destaca que a informalidade também impacta o mercado de forma ampla. “A informalidade precariza o setor e cria concorrência desleal para quem cumpre a lei. O trabalhador formalizado consome mais e movimenta a economia com segurança”, afirma.

Empresas – Já o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Paranavaí e Região (Sivapar), Edivaldo Cavalcante, apresenta uma leitura voltada às dificuldades enfrentadas pelo empresariado. “Hoje a informalidade é uma realidade em todos os setores, mas o impacto é muito grande para o governo municipal, estadual e federal, uma vez que a sonegação de impostos é gritante. Só vejo um culpado nessa situação: o governo, que só pensa em arrecadar, e o empresário muitas vezes acaba correndo para a informalidade”, avalia.

Saúde mental e qualidade de vida – Nos últimos anos, o debate sobre saúde mental no trabalho ganhou força. Para Mori, isso reflete o próprio ambiente democrático, onde diferentes visões passam a disputar espaço. “Há cada vez mais pessoas defendendo que o ser é mais importante que o ter”, diz.

Leila Aguiar reforça que o impacto das condições de trabalho vai além do ambiente profissional. “Um trabalhador valorizado mantém uma família equilibrada, e essa é a base da sociedade”, pontua.

Escala de trabalho e o debate sobre o 6×1 – A discussão sobre o fim da escala 6×1 — seis dias de trabalho para um de descanso — tem ganhado destaque nacional. Para Verônica Mori, a mudança teria impacto direto na qualidade de vida, especialmente entre trabalhadores que conciliam estudo e emprego.

“Mais tempo de descanso, lazer e convivência familiar muda não só a vida dessas pessoas, mas também a dinâmica social. Mudando a sala de aula, a gente muda o mundo”, afirma, ao relatar a realidade de estudantes que trabalham em jornadas exaustivas.

Já Leila Aguiar classifica o modelo como ultrapassado. “A escala 6×1 é um modelo exaurido que adoece o trabalhador”, diz. Segundo ela, a adoção de jornadas como 5×2, com redução para 40 horas semanais, poderia melhorar a saúde mental e aumentar a produtividade. “Um trabalhador descansado produz mais, com menos erros. E isso pode, inclusive, gerar novos empregos”, acrescenta.

Por outro lado, Cavalcante demonstra preocupação com os impactos econômicos de mudanças mais rápidas. “O Brasil não está preparado para mudanças drásticas sem um debate profundo entre patrões e empregados”, afirma. Ele também questiona os efeitos da redução da jornada. “Com o fim da escala 6×1, só vai piorar a situação do país. Eu nunca vi um trabalhador chegar ao topo diminuindo o trabalho”, completa.

Tecnologia: risco e oportunidade – O avanço tecnológico também tem redesenhado o mercado de trabalho. A automação e o uso de ferramentas digitais trazem ganhos de eficiência, mas também levantam preocupações. “O risco é a exclusão de trabalhadores sem qualificação adequada”, alerta Leila.

Ainda assim, ela destaca a oportunidade de transformação. “O futuro exige profissionais mais qualificados e um atendimento mais humanizado. O trabalhador pode se tornar um consultor, e não apenas um executor de tarefas”, afirma.

Direitos, valorização e equilíbrio – Outro ponto destacado é a relação entre empregadores e trabalhadores. Para Leila Aguiar, ainda existe uma visão equivocada sobre os direitos trabalhistas. “Direito não é custo, é investimento em estabilidade social. O funcionário é a principal engrenagem de um negócio”, defende.

Ela também chama atenção para a necessidade de valorização profissional. “Não falta trabalhador. Falta valorização. Quando há plano de carreira, benefícios e respeito, as vagas são preenchidas”, afirma.

Diante desse cenário, o significado do Dia do Trabalhador também se amplia. Para a socióloga Verônica Mori, a data continua sendo espaço de reflexão e mobilização. “A luta de alguns certamente gera reflexão para muitos, mesmo que outros aproveitem o feriado para descansar”, avalia.

Fonte: Cibele Chacon - da redação

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