Em meio a um caracol de ruas a se afunilarem em direção ao centro, um banco pintado de branco. Visto à distância, era apenas um banco comum, de praça.
Mas, ao olhá-lo com atenção, bem às suas costas uma fonte jorrava bochechos dançantes. Esguichos vermelhos e verdes que se trançavam a misturar cores, pintando o espaço. À sua frente e na beirada da estreita rua, um canteiro de miosótis resplandecia e, bem ao seu lado, uma roseira grande florida de branco, a quebrar o majestoso azul-celeste e brilhante das flores miúdas.
Conjunto de cores e coisas que davam àquela parte da praça um aspecto no mínimo romântico e convidativo. Simpático. E assim posicionado, não era apenas um banco e seus complementos, mas um convite.
Foi ali que Paulo marcou para se encontrar com Aninha. Ela, de olhos azuis a comporem com as flores um belo conjunto, e ele, de camisa branquíssima, a se ajustar com as viçosas rosas.
Considerando o banco em posição estratégica, as ruas sinuosas, o chafariz dançarino e as flores na magnitude de suas cores, o encanto se fez enfeitando o pôr do sol da tarde morna.
Aninha retornava da escola e vinha abraçada aos cadernos e livros, enquanto ele apontava do lado oposto a espichar o pescoço, a conferir. Procurava por ela.
Ambos sorriram na pressa dele com as passadas espichadas e na espera dela, graciosa na sua vestimenta escolar. E o encontro se deu como são esses momentos em que as almas se abrigam num abraço.
E pedem para mais ficar. Pois sentados lado a lado, ela falava, ele gesticulava e ambos sorriam a criarem momentos… e a ansiedade passou a desenhar contornos de felicidade.
Poucos foram os instantes dessa fase que morreria no primeiro abraço. Também no singelo beijo que ele provocou, e nos respirares entrecortados de ambos com a emoção ao se olharem olho a olho, e a se sentirem pelas mãos em curvas e contornos.
A ofegância, a sufocação do primeiro encontro.
Um banco de praça a servir de inspiração com ela a desprender o perfume deixado nas orelhas. E ele a química tingida de feromônios. Eis que os olhos diziam sim, os sorrisos confirmavam a satisfação amorosa, e os sentidos ligados aos arfares, por fim, a tudo assentiam.
Aninha e Paulo conheceram naquele banco enquanto o sol levemente se punha, o lado hospitaleiro do amor. E se deram, ao fim, as mãos.
Para ali ficaram até que o chafariz se apagasse e os miosótis, no escuro, guardassem para si o azul dos olhos dela.











