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Cultivo de algodão é destaque no Paraná

NO CAMPO

Valorização das fibras naturais abre portas para cotonicultura paranaense

Ricardo Padulla arrendou uma área de 35 hectares no município de Santo Inácio, na região Norte do Paraná, para o cultivo de algodão. Após avaliar a capacidade produtiva e planejar o plantio, a intenção do produtor é iniciar a semeadura até a primeira quinzena de novembro. A vontade de investir na cotonicultura surgiu quando Padulla percebeu o potencial da cultura para sua região, bem como a organização da cadeia produtiva.

O interesse de Padulla na cotonicultura é justificado. Maior exportador mundial de algodão, o Brasil deve somar mais de 4 milhões de toneladas de pluma na safra 2025/26, segundo estimativa da consultoria Agroconsult — um recorde histórico. A alta produtividade do algodão brasileiro vem acompanhada de um movimento de maior preocupação, por parte tanto de cientistas quanto de consumidores, em relação à sustentabilidade. As fibras naturais, como o algodão, são uma boa escolha nesse sentido, uma vez que tecidos sintéticos, como o poliéster e o nylon, acabam por disseminar microplásticos.

De acordo com dados do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), cerca de 35% dos microplásticos nos oceanos foram originados pela lavagem de tecidos sintéticos. Já um estudo da Universidade de Newcastle, na Austrália, encomendado pelo World Wide Fund for Nature (WWF), revelou que cada pessoa consome em média cinco gramas de plástico por semana, o equivalente ao peso de um cartão de crédito. Isso acontece porque os microplásticos podem estar presentes na água, em alimentos e até no ar. Segundo especialistas, os efeitos desse tipo de substância no organismo podem incluir, por exemplo, alterações hormonais e celulares.

Rodrigues dos Santos, gerente de Políticas Públicas e Advocacy do WWF-Brasil, durante o 15º Congresso Brasileiro do Algodão, que aconteceu em setembro, em Belo Horizonte (MG). O Sistema Faep, em parceria com a Associação dos Cotonicultores Paranaenses (Acopar), promoveu a ida de uma comitiva de 20 produtores paranaenses ao evento, que contou com palestras sobre pesquisas, boas práticas e panorama global e nacional da cotonicultura. 

Almir Montecelli, presidente da Acopar, acredita que a popularização de roupas vindas da China contribui para o debate sobre as vantagens dos tecidos naturais. Portanto, para o dirigente, o momento de investir em fibras como o algodão é agora. “Esse problema do microplásticos já é conhecido há algum tempo. Médicos e mães sabem muito disso. Toda mãe sabe a importância de colocar uma roupa de algodão num bebê”, aponta. 

Produtor de algodão há três safras, em sistema de rotação com a soja, José Antônio Borghi, presidente do Sindicato Rural de Maringá, também acredita que o consumo sustentável abre portas para a cotonicultura paranaense.

Ágide Eduardo Meneguette, presidente do Sistema Faep, ressalta que o cenário atual favorece o reposicionamento da atividade rural paranaense frente às novas demandas do mercado global.

Algodão no Paraná

Há quase 35 anos, na safra de 1991/92, o Paraná era o maior produtor de algodão do Brasil, com 709 mil hectares cultivados, equivalentes a 36% da área nacional. No entanto, a infestação do bicudo-do-algodoeiro, a expansão da soja e as dificuldades econômicas na época levaram ao declínio da cultura no Estado. Hoje, há somente 1,7 mil hectares de algodão em solo paranaense, ou seja, 0,2% da área plantada durante o auge.

Hoje, com avanços em tecnologia e manejo, os produtores de algodão tentam reconquistar esse espaço. A Acopar atua nesse sentido, oferecendo a cotonicultores assistência especializada, maquinário para colheita e transporte, além de auxílio na comercialização da produção.

Diversidade e produtividade

O algodão traz benefícios quando utilizado na rotação de culturas. Isso acontece porque ajuda a quebrar o ciclo de pragas e doenças, melhorando a absorção de nutrientes pelo solo na lavoura semeada posteriormente.

“A cultura do algodão apresenta diversas vantagens para o produtor rural. Quem começa a plantar passa a produzir também mais soja e milho após a rotação”, afirma Wilson Paes, consultor da Acopar.

Por 40 anos, até se aposentar em 2015, Paes foi pesquisador do então Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), que hoje integra o Instituto de Desenvolvimento Rural (IDR-Paraná). Lá, o especialista trabalhou com tecnologia e produção de sementes, melhoramento de algodão e, depois, liderou o programa de pesquisas do órgão. Assim, pôde acompanhar diversos estudos que demonstram os benefícios da cotonicultura.

Fonte: Assessoria

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