Nos últimos dias, a situação das capivaras do Parque Ouro Branco movimentou as redes sociais em Paranavaí. O debate ganhou força depois que um dos animais foi encontrado morto, com a suspeita de um ataque por cães. Nesta segunda-feira (17), será apresentada uma indicação do vereador professor Carlos pedindo que o município, em conjunto com os órgãos ambientais, avalie a retirada e a destinação adequada das capivaras.

O episódio recente se soma a outros problemas registrados no último ano. Na indicação, Carlos Alberto João cita um caso de atropelamento, briga entre as próprias capivaras e uma situação em uma capivara ficou presa por um fio telefônico.
Carlos Alberto reconhece que as capivaras se tornaram parte do dia a dia do Ouro Branco e até atraem pessoas ao local. Entretanto, na sua visão, a morte do animal mostra que o debate precisa ir além do interesse provocado pela presença amigável das capivaras e considerar, principalmente, o bem-estar de uma espécie silvestre em uma área bastante urbanizada.
“Eu sei que elas atraem visitantes e muita gente gosta da presença delas, mas não é a hora da gente se preocupar com atração e sim com a segurança e a saúde desses animais silvestres”, reforçou o vereador.
Depois de protocolar o pedido, o vereador Professor Carlos e a vereadora Professora Ivany procuraram Hélio Vasconcelos Júnior, chefe do Escritório Regional de Paranavaí do Instituto Água e Terra (IAT), responsáveis pelo cuidado dos animais silvestres.
No encontro, Vasconcelos comentou sobre a capacidade técnica da equipe que acompanha a situação. Segundo o que foi informado aos vereadores, o IAT já tem um planejamento técnico para a presença dos animais e que novas ações devem ser apresentadas nos próximos dias.

O médico-veterinário especializado em animais silvestres e exóticos David Henrique da Silva do Nascimento explica que a presença de capivaras no meio urbano exige acompanhamento constante. Um dos principais cuidados está na alimentação oferecida por frequentadores.
Segundo Nascimento, alimentos inadequados podem provocar doenças, reduzir a imunidade e interferir no comportamento natural das capivaras.
Com a oferta frequente de comida, os animais podem passar a buscar cada vez mais essa aproximação com as pessoas, deixando de depender apenas dos recursos disponíveis no ambiente. “É importante lembrar que os animais vivem na natureza, eles não foram criados para ser pets”, ressalta David. Para o especialista, manter animais silvestres próximos à população exige cuidados para que essa convivência não altere hábitos essenciais da espécie.



