Com a previsão de aumento das chuvas nos próximos meses em razão da influência do fenômeno El Niño, a Secretaria Municipal de Saúde de Paranavaí intensificou o monitoramento do Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue, zika e chikungunya. A principal estratégia é a ampliação do uso das ovitrampas, armadilhas que identificam a presença de ovos do mosquito e permitem mapear as regiões com maior risco de infestação, orientando as ações de campo das equipes da Vigilância em Saúde.
As ovitrampas são utilizadas como ferramenta de vigilância entomológica. Cada armadilha contém uma palheta de madeira onde as fêmeas do mosquito depositam os ovos. O material é recolhido e substituído a cada cinco dias, permitindo o acompanhamento contínuo da infestação e a identificação precoce das áreas que demandam reforço nas medidas de controle.
A instalação das armadilhas ocorre em residências previamente definidas a partir do mapeamento epidemiológico do município. Em cada área monitorada é selecionado um imóvel estratégico para receber o equipamento. Após a instalação, as equipes de combate às endemias realizam inspeções periódicas e analisam os resultados para orientar as próximas ações.
Segundo o assessor de Combate às Endemias da Vigilância em Saúde, Tiago Dias, a ferramenta permite antecipar as ações antes que haja aumento dos casos da doença.
O sistema passou a ser utilizado em Paranavaí no ano passado e hoje integra a estratégia de vigilância adotada também pelos municípios da 14ª Regional de Saúde. A tecnologia tornou o monitoramento mais preciso e possibilitou uma atuação mais rápida nos locais com maior concentração do vetor. Embora o cenário epidemiológico permaneça controlado, a Vigilância em Saúde mantém as equipes em alerta diante da previsão de chuvas mais frequentes. O acúmulo de água favorece a proliferação do mosquito e exige a intensificação das medidas preventivas.
Um levantamento recente da Vigilância em Saúde aponta que, entre janeiro e junho deste ano, foram inspecionadas 4.396 ovitrampas, que resultaram na coleta de aproximadamente 41,7 mil ovos do Aedes aegypti. No mesmo período, os agentes realizaram mais de 78,3 mil visitas domiciliares, eliminaram cerca de 37,9 mil depósitos com potencial para se tornarem criadouros e registraram 2.501 visitas com presença do mosquito. Os indicadores demonstram a intensidade do trabalho preventivo desenvolvido no município.
Tiago Dias destaca que o sucesso das ações depende da participação da população. “A maior parte dos criadouros está dentro dos imóveis. Por isso, cada morador tem um papel fundamental no combate à dengue. Eliminar recipientes que acumulam água, limpar calhas, manter as caixas-d’água fechadas e vistoriar quintais semanalmente são atitudes simples que fazem a diferença. O combate ao mosquito é uma responsabilidade de todos.”



