Mais notícias...

Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors

Mais notícias...

Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors
Compartilhe:

RELIGIÃO

𝕸𝖔𝖘𝖙𝖊𝖎𝖗𝖔 𝕸𝖆𝖙𝖊𝖗 𝕮𝖆𝖗𝖒𝖊𝖑𝖎: Maria Assunta e a beleza de uma vida totalmente consagrada a Deus

Agosto é um tempo de oração, reflexão e promoção das vocações. Ao longo do mês, a Igreja nos convida a contemplar as diferentes formas de responder ao chamado de Deus: ao ministério ordenado, ao matrimônio e à família, à Vida Religiosa e Consagrada e à vocação dos leigos e leigas, com especial atenção aos catequistas.

Neste contexto, a Assunção de Maria oferece uma imagem particularmente bela da vocação consagrada. Maria pertence inteiramente a Deus. Seu “sim” — “Eis aqui a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra” — não foi apenas uma resposta momentânea, mas uma entrega que envolveu toda a sua existência. Depois de acolher o Filho de Deus em seu seio, Maria colocou-se a caminho, serviu Isabel, esteve presente em Caná, acompanhou Jesus até a cruz e perseverou em oração com os discípulos. Nela contemplamos uma vida totalmente disponível ao projeto de Deus.

É justamente essa disponibilidade que a Vida Consagrada procura ser testemunha. Não se trata simplesmente de uma atividade dentro da Igreja, mas de uma vocação: Deus continua chamando homens e mulheres para seguirem Cristo de maneira radical, fazendo da própria existência uma oferta de amor. Pela consagração religiosa, mediante os conselhos evangélicos de castidade, pobreza e obediência, a pessoa oferece ao Senhor sua liberdade, seus dons e toda a sua vida. O consagrado proclama, com sua existência, que Deus é o Bem maior e que o Evangelho merece ser vivido com radicalidade.

A Vida Consagrada manifesta-se de muitas formas. Há religiosos que evangelizam em lugares distantes, cuidam dos pobres, enfermos, crianças e jovens, dedicam-se à educação, às missões e à promoção humana. Há também aqueles que vivem uma vida escondida, especialmente nos mosteiros contemplativos, dedicando-se à oração, ao silêncio, à adoração e à intercessão.

Para uma sociedade que valoriza sobretudo resultados imediatos, uma vida entregue à oração pode parecer pouco produtiva. Para a Igreja, porém, ela possui uma fecundidade profunda. A oração é missão; a contemplação é missão; a intercessão é missão. Uma monja diante do Santíssimo Sacramento, levando no coração as dores da Igreja, dos sacerdotes, das famílias, dos jovens, dos pobres e de toda a humanidade, participa silenciosamente da missão de Cristo.

O Papa Leão XIV tem recordado que o encontro com Cristo conduz necessariamente ao amor concreto, à comunhão e ao serviço. Em sua exortação apostólica Dilexi te, ao recordar o testemunho de santos e santas da caridade, apresenta a Vida Consagrada como um verdadeiro caminho de amor em direção às periferias existenciais. A consagração a Deus não produz isolamento ou indiferença, mas amplia o coração para acolher e servir aqueles que sofrem. Isso também se aplica profundamente à vida contemplativa: nem toda periferia é geográfica. Existem periferias de solidão, abandono, sofrimento, pobreza espiritual e falta de esperança, que podem ser alcançadas pela oração e pela oferta silenciosa da própria vida.

A Vida Consagrada oferece ainda à sociedade um testemunho profético de uma maneira diferente de viver. Diante do individualismo, a comunidade religiosa testemunha a fraternidade. Diante do consumismo, a pobreza evangélica recorda que não precisamos possuir tudo para encontrar a verdadeira felicidade. Diante de uma cultura centrada no prazer e na satisfação pessoal, a castidade consagrada testemunha que o coração humano é feito para um amor maior. E, diante da busca de uma autonomia absoluta, a obediência religiosa recorda que a verdadeira liberdade também nasce da escuta de Deus.

Neste domingo vocacional, somos convidados não apenas a recordar os religiosos e religiosas, mas a agradecer por sua presença e missão: pelas comunidades contemplativas que rezam pela Igreja, pelos missionários que deixaram sua terra, pelos religiosos que evangelizam e servem aos pequenos, pelas consagradas que oferecem sua vida, pelos idosos que perseveraram durante décadas e pelos jovens que estão discernindo seu chamado.

Ao mesmo tempo, somos convidados a pedir: Senhor, despertai novas vocações! Que nossas famílias sejam lugares onde os jovens aprendam a escutar a voz de Deus; que nossas paróquias apresentem com alegria a beleza da Vida Consagrada; e que religiosos e religiosas sejam testemunhas alegres, fiéis e apaixonadas por sua vocação.

Maria Assunta ao céu nos recorda que nenhuma vida entregue a Deus é desperdiçada. Sua existência, totalmente aberta à vontade divina, tornou-se fecunda para toda a humanidade. Por isso, neste Mês Vocacional, somos convidados a fazer novamente a pergunta essencial: “Senhor, o que queres de mim?”

Toda vocação começa quando alguém se dispõe a escutar. E toda vida verdadeiramente vocacionada encontra sua fecundidade quando pode responder, como Maria: “Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra.”

A Vida Consagrada não é uma realidade do passado, mas um dom atual e necessário do Espírito Santo. Deus continua chamando. Continua procurando corações generosos. Continua convidando homens e mulheres a deixar tudo para seguir Cristo.

Que Nossa Senhora da Assunção desperte em nossas famílias, comunidades e paróquias a coragem de escutar a voz de Deus. E que o Senhor conceda à sua Igreja novas vocações à Vida Religiosa e Consagrada: vocações santas, alegres, contemplativas, fraternas e missionárias, apaixonadas por Cristo e generosas no serviço ao Reino de Deus.

Ir. Edna Maria Lopes de Sousa, O. Carm

Fonte: Ir. Edna Maria Lopes de Sousa, O. Carm

Compartilhe: