A disputa por talentos no mercado brasileiro em 2026 ganhou um novo campo de batalha: o prato do colaborador. Dados do relatório Panorama do RH 2026, realizado pela Caju, revelam que 63% das empresas brasileiras já utilizam o Auxílio Alimentação como estratégia central de retenção. O modelo, que unifica as categorias de Refeição (VR) e Alimentação (VA), permite que o profissional decida se prefere gastar o saldo no supermercado ou em restaurantes, transformando a autonomia em uma ferramenta de fidelização.
O estudo, que analisou 127 milhões de transações ao longo de 2025, aponta que as categorias ligadas à alimentação representam 82% do volume total de uso de benefícios no país. Especialistas indicam que o vale deixou de ser um complemento para se tornar parte estruturante da renda e da segurança alimentar do trabalhador.
A adoção de benefícios flexíveis surge como uma resposta direta à necessidade de personalização, permitindo que as empresas se adaptem às diferentes realidades financeiras de seus quadros de funcionários. A relevância é tamanha que, na base analisada, o Auxílio Alimentação registrou mais de 57 milhões de transações anuais. Em média, o saldo dessas categorias é consumido em um período de 15 a 17 dias, evidenciando que o valor depositado muitas vezes não cobre o mês completo do profissional.
O panorama evidencia uma distorção entre os valores nominais e o poder de compra real nas diferentes regiões do país: no Nordeste, o investimento em benefícios é proporcionalmente superior ao custo de vida local, sendo a única região com essa vantagem; já no Sul e Sudeste, apesar de concentrarem os maiores valores absolutos depositados, esses montantes ficam abaixo do custo de vida regional quando ajustados; por sua vez, o Centro-Oeste se destaca por registrar o maior ticket médio por transação de auxílio alimentação no país, alcançando R$ 61,59.
Além do que se consome, o modo como se paga tornou-se um indicador geracional. O uso de cartões virtuais registrou um crescimento de 89% no volume de transações em comparação ao início de 2025. Entre os colaboradores de até 30 anos, o pagamento digital já é a escolha majoritária, superando o uso do plástico físico.
Motivos que fazem os benefícios reter talentos nas empresas
Para o setor de recursos humanos, a retenção de talentos em 2026 está diretamente ligada à capacidade da empresa de enxergar o benefício como investimento estratégico e não apenas custo. Os principais fatores de retenção identificados incluem:
Autonomia e Flexibilidade: Modelos que permitem ao colaborador decidir onde alocar seus recursos aumentam a percepção de valor e satisfação individual.
Suporte à Saúde Mental: A alta demanda por psicologia (63% das consultas) mostra que empresas que oferecem suporte emocional criam vínculos mais fortes de cuidado.
Reconhecimento Estruturado: O uso de premiações para destacar performances individuais e de equipe reforça a cultura de meritocracia e engajamento.
Eficiência na Jornada Digital: Facilitar o acesso imediato via cartões virtuais e carteiras digitais atende à expectativa de agilidade das novas gerações.
Para o setor de recursos humanos, a tendência para 2026 aponta que não basta apenas oferecer o benefício básico. O avanço de categorias flexíveis como o Multi sinaliza que a liberdade de escolha do colaborador é hoje um dos maiores ativos para evitar a rotatividade e garantir a competitividade das organizações.




