Mais notícias...

Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors

Mais notícias...

Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors
Compartilhe:
É preciso ficar atento ao conjunto das mudanças Foto: CRCSP

FINANÇAS

Isenção do IR para quem ganha até R$ 5 mil: entenda os impactos da mudança

Aprovado pela Câmara dos Deputados, o PL 1087/2025, que isenta do Imposto de Renda quem recebe até R$ 5 mil por mês, deve ser também aprovado pelo Senado Federal. O objetivo é ampliar a faixa de isenção e reduzir a carga tributária sobre a classe média. O principal benefício recai sobre trabalhadores de baixa e média baixa renda, que terão mais fôlego no orçamento. Politicamente, a medida reforça a imagem de justiça fiscal, ao transferir parte do peso tributário para os mais ricos. Mas afinal, quantos brasileiros serão de fato impactados?

Dados da PNAD Contínua/IBGE (2025) indicam que cerca de 28,2 milhões de trabalhadores ocupados têm rendimentos entre R$ 3.038 (equivalente a dois salários-mínimos, atualmente isentos) e R$ 7.350 mensais. Mas segundo o professor de Contabilidade da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (Fecap), Tiago Slavov, na prática, o impacto da reforma será concentrado em cerca de 15,9 milhões de contribuintes formais — principalmente trabalhadores de classe média baixa (entre R$ 3.500 e R$ 5.000) e classe média consolidada (R$ 5.000 a R$ 7.350).

Já os demais, embora apareçam nas estatísticas de renda, permanecem fora da base tributária por estarem no setor informal. Isso acontece porque a Receita Federal considera apenas os contribuintes efetivos — ou seja, quem entrega declaração ou sofre retenção de IR na fonte. “Assim, a reforma melhora a situação de quem já paga imposto, mas não altera diretamente a realidade de milhões de brasileiros que continuam à margem do sistema”, explica.

O PL prevê ainda uma redução gradativa da alíquota entre R$ 5 mil e R$ 7.350. Para quem ganha entre R$ 7.350 e R$ 60.000, a regra “atual” será mantida (ou seja, a alíquota de 27,5% menos os descontos atuais). Para quem ganha acima de R$ 60.000, contudo, será aplicada a tributação da “alta renda”.

Impacto no orçamento – Segundo estimativas, a perda de arrecadação da proposta chegaria a R$ 31 bilhões em 2026, R$ 34 bilhões em 2027 e R$ 36 bilhões em 2028 — um total de R$ 101 bilhões em três anos. Para equilibrar as contas, o governo aposta em duas frentes: a criação de um “Imposto Mínimo da Pessoa Física”, voltado a contribuintes de alta renda, e a tributação de dividendos enviados ao exterior.

“Oficialmente, não há previsão de aumento em impostos sobre consumo. Mas, se a arrecadação com altas rendas e dividendos não for suficiente, o governo pode recorrer a tributos como PIS, Cofins, IPI ou a futura CBS. Esse movimento não seria inédito: em vários países, o alívio no IR para os mais pobres acabou sendo compensado por elevação de impostos indiretos, que atingem toda a população”, acrescenta Slavov.

O professor da FECAP afirma que, se a arrecadação com altas rendas não se concretizar, pode haver pressão para elevar impostos sobre consumo, o que reduziria o ganho dos mais pobres. Além disso, os contribuintes de alta renda podem reagir com evasão, lobby e até fuga de capitais.

Em comparação internacional, a faixa de isenção do imposto de renda costuma variar entre 1 e 2 salários-mínimos. A proposta brasileira, ao chegar a 3 ou 4 salários-mínimos, amplia a progressividade e reforça a ideia de que “quem tem mais, paga mais”. Por outro lado, estreita a base de contribuintes, o que pode pressionar a classe média alta e os ricos — justamente o grupo com mais condições de driblar o fisco.

“Em síntese, a medida aumenta a equidade vertical do sistema, mas, sem uma tributação consistente sobre renda e patrimônio, corre o risco de transferir ainda mais o peso para o consumo, recriando distorções que a reforma buscava corrigir”, alerta.

Compartilhe: