*Edmar Lima Cordeiro
Pense num cabra cheio de “swing” e simpático. Assim, você vai entender na real quem é o “Casanova Nordestino”, mais cobiçado pelas garotas do “gesso” e da vida noturna.
Tudo era uma festa para ele, uma alegria pessoal ao se aproximar dos amigos, já vinha com xavecadas, era espontâneo e amistoso. Habilidoso e de uma fidelidade com os camaradas, o que só se explica pela amizade que, na sua essência, suporta todas as travessuras que se possa conviver.
Edmilson Ramos (nome fictício, causo verdadeiro), a voz sonora das amplificadoras, voz de “FM” como se diz desses que tem um “gogo” especial para ser radialista ou cantor de boteco. Seu timbre de voz era a chave de sua aproximação surgindo dançando tango ou bolero cumprimentando os amigos e os próximos de sua chegada. Na verdade, um xavecador-mor.
Nasceu na região do Vale do Cariri no Ceará, diante da exuberante Serra do Araripe de onde nunca se afastou nas suas relações de trabalho e amizades feitas no Sul do país. Foi cabo do Exército e nessa vivência foi exemplar pela disciplina e fidelidade à arma que lhe acolheu, a Companhia de Serviços.
Carismático, foi escolhido motorista do comandante de sua Companhia. E aí ele conheceu a Márcia, a quem dedicou muito romantismo e serenatas com músicas de Nelson Gonçalves e de Orlando Silva, seus ídolos.
Cabo Edmilson Ramos até fardado ao se aproximar dos companheiros já se identificava como exímio dançarino, com a mão na barriga e a outra no ar festejava sua alegria diante de seus comandados sem perder sua liderança natural e o respeito.
Deu baixa do Exército, veio para junto de seus familiares aqui em Paranavaí. Aqui trabalhou na área de vendas. Vendeu tecidos, vendeu tratores, automóveis e fez algumas picaretagens de imóveis. Nunca foi adepto à política local e sempre dizia: “Gosto mesmo é de “mulé”, por elas vou até a Roma falar com o Papa”.
Sua ligação religiosa mais forte era com o Padre Cícero Romão Batista.
O episódio: Em uma Feira de Exposição de Gado, Edmilson chega no amigo e lhe pede emprestado uns “cobres”, para gastar com uma gata na exposição. O amigo de imediato atende e lhe empresta o valor para ser pago no dia seguinte. Depois de uns dias, e ainda na festa, o amigo cobra o empréstimo e Ramos lhe responde: “Não tenho como lhe pagar, a garota é quem ficou com ele”. Assim era ele e os amigos o toleravam.
Edmilson, bom malandro e já casado, apaixonou-se por uma bela garota, ficou de cabeça virada, fez de tudo para levar a “mulé” no motel ou “nas cinco estrelas”. Lhe deu flores, lhe deu bombons, fez serenata, tudo fez e nada acontecia. Ele, desesperado, achando que seu charme tinha se esvaído, chamou um amigo do peito e lhe confessou a tortura que estava passando e nessa conversa surgiu uma brilhante ideia: comprar umas alianças e ficar noivo dela. Não deu outra. Foi a uma joalheria, comprou a joia e foi até a casa da moça. Então, reuniu a família e a pediu em casamento. Daí pra frente tudo ficou como o Edimilson pensou. Foi jantar, foi passear, foi para motel etc..
Ele, casado, começou a pensar essa estratégia: buscou uma solução e passou a namorar a melhor amiga da noiva. Quando foi descoberto, o pau quebrou. A noiva jogou a aliança na cara do esperto e sumiu aos prantos e da vida deste.
Feliz por ter atingido seu objetivo, voltou com cara de anjo para o centro de sua família, cantando e dançando bolero. Para os amigos, o Edmilson Ramos era um ídolo, um homem de respeito. Para muitos outros, um cabra safado.
Assim caminha a humanidade.
*Edmar Lima Cordeiro é advogado, administrador de empresas e colaborador do Diário do Noroeste




