Mais notícias...

Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors

Mais notícias...

Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors
Compartilhe:
Aos 30 anos, Bruna Ramos Fernandes Del Fiol carrega a bagagem de 11 anos na carreira militar Foto: Ivan Fuquini

DIA DA MULHER

Entre 88% de homens, liderança feminina se destaca no 8º Batalhão de Paranavaí

Aos 30 anos, a tenente Bruna Ramos Fernandes Del Fiol é a única oficial feminina lotada no batalhão e responsável por um efetivo predominantemente masculino

Num ambiente predominantemente masculino, uma voz feminina se destaca. Diante de um batalhão com 88% de homens, uma parcela das ordens que regem o comando parte de uma liderança feminina, destoando do que parece ser o lugar comum do ambiente. 

Aos 30 anos, a tenente Bruna Ramos Fernandes Del Fiol é a única oficial feminina lotada no 8º Batalhão de Polícia Militar (BPM). Além do efetivo de Paranavaí, ela tem sob a própria responsabilidade o comando de uma subárea, que a coloca como responsável, ainda, dos municípios de Amaporã, Nova Aliança do Ivaí e Tamboara. “O começo é muito difícil, porque a gente vem para comandar um policial militar homem que tem 30 anos de carreira, e a nossa hierarquia acaba nos colocando nessa posição. A gente tem que aprender a lidar com isso. Hoje eu acho que já consegui ganhar o respeito de todo mundo.” 

As dificuldades citadas pela policial, no caso dela, ultrapassam as questões de gênero. Bruna ingressou na carreira militar aos 19 anos, inspirada pela vivência com o pai no Exército Brasileiro, e desde cedo precisou lidar, também, com a diferença de idade com os colegas de profissão. 

Como você pode imaginar, a disparidade na presença de homens e mulheres foi a mesma desde o início da carreira. No curso de formação, Bruna se viu como uma das poucas em sala. “Na minha turma eram 68 pessoas e 8 eram mulheres”, relembra. 

Ao chegar no ambiente de trabalho, a realidade se mostrou igualmente desigual. “É um ambiente muito masculino, a gente acaba tendo um pouquinho mais de dificuldade. Mas a gente vai lidando, pegando o jeito. E eu acredito que no decorrer dos anos, da época que eu entrei para quem está entrando hoje, vai ficando cada vez mais fácil”, reflete. 

Para a tenente, cada mulher que ingressa na corporação ajuda a ampliar oportunidades para as próximas gerações
Foto: Ivan Fuquini

Evolução social – A última turma de policiais militares formada no Paraná teve 467 novas mulheres ingressando na carreira num grupo de 2.485 profissionais. O número reduzido de policiais femininas comprova que a diferença se repete em todo o estado. Mas para Bruna, a realidade está mudando. 

Segundo a tenente, a própria corporação tem trabalhado para transformar o ambiente e a mentalidade de quem o compõe. “A instituição tenta nos acolher da melhor forma possível. Apesar do ambiente ser majoritariamente masculino, a instituição nos dá um respaldo, nos acolhe.”

A evolução, para ela, combate um dos primeiros preconceitos enfrentados pelas mulheres, que tenta se reafirmar na questão biológica. “‘Ah, a mulher faz menos, a mulher é mais fraca.’ A gente ouve histórias de que lá na década de 90, quando surgiu a mulher na polícia, havia homens que não gostariam de trabalhar com mulheres porque achavam que estariam fisicamente prejudicados numa ocorrência, por exemplo”, cita.  

O interesse e persistência delas pela carreira provou o contrário. “Para a sociedade respeitar uma policial feminina também é uma construção, né? Hoje a gente tem muito mais respeito porque a própria sociedade sabe que o fato de estar sendo abordado por uma mulher não significa que você vai poder desmerecê-la. Eu acredito que a sociedade como um todo já entende bastante e vai entender cada vez mais essa atuação nossa”, celebra. 

Ao olhar para a própria trajetória, a oficial acredita que cada mulher que ingressa na corporação ajuda a ampliar oportunidades para as próximas gerações. “Eu acho, realmente, que para a gente conseguir superar esse desafio, precisamos nos impor como mulher, como policial, e a sociedade vai ter que nos respeitar nas funções que a gente decidir seguir.”

Fonte: Monique Manganaro - Da Redação

Compartilhe: