Curando um cego, Jesus se manifesta como Luz do mundo. Jesus anda pelos arredores do Templo. Vê um homem cego desde o nascimento. Os discípulos perguntam se a culpa é dele ou dos pais dele. Pergunta estúpida! Como poderia ter culpa antes de nascer? Jesus observa que a cegueira não vem do pecado. É acidente da natureza, mas vai se tornar oportunidade para mostrar Deus em ação. Pois Jesus está fazendo a obra de Deus. Pelo menos, enquanto é (seu) dia. Logo virá a noite da traição e da morte, quando já não poderá realizar estas obras. Mas ainda não chegou. “Enquanto estou no mundo, sou a Luz do mundo”. É isso que ele vai mostrar. Com saliva, faz um pouco de lodo, coloca nos olhos do cego e manda-o lavar-se no reservatório de Siloé. (Este é o centro de procissão da Festa dos Tabernáculos – 7z2; estamos ainda na atmosfera desta festa). João explica também que o nome de Siloé significa “o Enviado”: uma alusão ao Messias. O cego faz o que Jesus mandou, e volta curado.
Os vizinhos duvidam da cura do cego: Os vizinhos não acreditam que ele é o mendigo cego que costumava sentar na porta do Templo. Perguntam como agora enxergar. Ele conta simplesmente o que Jesus mandou fazer. Quando lhe perguntam onde Jesus está, ele não sabe. Ainda não está “seguindo” Jesus…
Os fariseus acham que Deus não pode dar cobertura a quem trabalha no sábado. Abrem inquérito. Intimidação e inquisição! Então surge o conflito. A cura aconteceu num dia de sábado. Jesus fez lodo, portanto, trabalhou! Os fariseus começam a implicar. Interrogam o homem que foi cego. Este conta mais uma vez sua história: “Ele me pôs lodo os olhos, eu me lavei e vejo” Conclusão dos fariseus: “Este homem não pode vir de Deus, pois não guarda o sábado”. Mas outros acham que um pecador não seria capaz de fazer tais sinais discutem. Perguntam a opinião do cego. Este diz: “É profeta”. Já está se colocando do lado de Jesus. Os judeus não querem admitir o milagre. Chamam os pais do cego e perguntam se ele é seu filho e se nasceu cego. Respondem que é seu filho e que nasceu cego, mas não sabem como agora está enxergando. Não querem encrenca com os fariseus, pois estes decidiram expulsar da comunidade judaica (da sinagoga) quem reconhecesse Jesus como Messias. Os fariseus chamam novamente o homem que foi cego e exigem dele juramento (“Dá glória a Deus”) de que Jesus é pecador. O homem é honesto. Só pode jurar o que sabe: que ele era cego e que agora está vendo. Não pode jurar que Jesus é pecador…. Quando então os fariseus insistem em querer saber “detalhes comprometedores”, o cego responde com ironia: “Por que vocês querem ouvir a história mais uma vez? Acaso querem se tornar discípulos dele?” O cego defende Jesus: é expulso da sinagoga; Querendo discriminar o homem, os fariseus dizem que são gente de bem, “discípulos de Moisés”, mas quanto a este, não sabemos de onde é”, Agora o cego, transforma-se em mestre. Dá aos fariseus uma lição de teologia; “Estranho que vocês não saibam de onde ele é, se me abriu os olhos Sabemos que Deus não atende os pecadores, mas atende o piedoso que faz a sua vontade. Nunca se ouviu que alguém abriu os olhos a um cego de nascença. Se não viesse da parte de Deus, não poderia fazer nada”. Resultado: chamam-no de “pecador de nascença”. Expulsam-nos da comunidade. Agora o homem virou até mártir!
A “visão do cego”: Jesus o encontra, depois, e lhe pergunta se “acredita no Filho do Homem”. Ele diz: “Quem é, para que acredite nele? Jesus responde: “Tu o estás vendo: é o que falando contigo”. É para isso que o cego devia “ver”! Para ver o Messias! “Acredito Senhor”, exclama, e cai de joelhos em adoração. Agora ele é cristão de verdade.
A fé veio ao nosso encontro quando fomos batizados e a recebemos de maneira infusa e gratuita, sem mérito nenhum de nossa parte. Compreendemos que ter fé significa entrar na órbita da revelação do projeto de Deus, levado a efeito por seu Filho Jesus Cristo. A fé é, então um acontecimento que concerne à pessoa toda e lhe permite entrar no universo da aliança com Deus: é um encontro pessoal e comunitário com Jesus Cristo, reconhecido como Deus que vem, salva e reúne. A cura do cego de nascimento permite a Santo Ambrósio falar da capacidade dada pelo Batismo de ver o invisível. Após o milagre, o que era cego começou a enxergar, com a visão humana, as coisas deste mundo. Porém, o grande milagre aconteceu quando, iluminado pela fé, passou a ver não somente com os olhos do corpo; por isso, reconhece Jesus como Messias.
Frei Filomeno dos Santos O.Carm.
Escrito a partir de: Jesus comunica o Pai – Johan Konings



