Olhares atentos e curiosos buscam conexão com um assunto. Escolhido o tema mais atrativo, é chegado o momento de identificar informações, compreender o formato. Superando o caráter informativo, o Diário do Noroeste se tornou ferramenta de pesquisa e aprendizagem para mais de 70 estudantes da Escola Municipal Doutor José Vaz de Carvalho, no Distrito de Sumaré, em Paranavaí.

Foto: Ivan Fuquini
Professoras da instituição optaram por utilizar exemplares do jornal impresso para trabalhar gêneros textuais dentro da disciplina de língua portuguesa. A escolha causou curiosidade e aguçou a atenção dos alunos. O objetivo era mostrar na prática e da maneira mais palpável possível como se dá a estrutura de uma notícia.
Débora Mariano, professora de uma das turmas de quarto ano inseridas no projeto, explica que o primeiro passo foi deixar que as crianças explorassem as páginas, novidade para a maioria delas. Em seguida, cada uma precisou identificar e colher dados de uma notícia para, ao final, trabalhar o próprio texto a partir das informações. “Eu acho que trabalhar com o concreto é sempre mais fácil do que você só chegar aqui e falar. O manuseio facilita muito”, considera.

Foto: Ivan Fuquini
O contato com um material que não disputa atenção com notificações, vídeos e imagens rápidos e chamativos, fez os estudantes manterem a concentração mais facilmente. Luciana Colussi, também professora da disciplina participante do projeto, afirma que até mesmo a escrita dos estudantes foi impactada.
“Hoje os alunos não leem muito, porque muitas das notícias eles ouvem no celular. E no jornal eles tiveram que ler. Então a gente colocou para eles como é importante ler e não só ouvir, porque você vai memorizando como escreve a palavra, que é uma dificuldade que a gente tem”, revela.
De acordo com a diretora da instituição, Sirley Sbais, o processo de aprendizagem ainda ultrapassa o conhecimento técnico e invade o campo filosófico. Para ela, o contato dos alunos com o jornal permitiu uma aproximação com os acontecimentos de mundo e vai refletir diretamente no desenvolvimento de senso crítico nas crianças.

A informação gera debates, garante. “Cada um tem sua visão da notícia, e essa é a função da escola, tornar esses alunos críticos, participativos, conscientes daquilo que leem e daquilo que interpretam.”




