“O jornal é entregue na minha casa no primeiro horário do dia. Chega muito cedo, pontual, sempre foi assim. Eu digo que faz parte do nosso café da manhã. Parece que o café não tem muito sabor se o jornal não estiver ali.” Depois que recebe a edição do dia, Maria Penha Longo se senta à mesa e, acompanhada de um café, informa-se das notícias de Paranavaí. O ritual é o mesmo há 70 anos.
Maria Penha é a assinante mais antiga do Diário do Noroeste. E fiel. Ela e o marido, Geraldo Longo, nunca deixaram de receber a versão impressa do principal veículo de comunicação paranavaiense. “Acho que desde a primeira edição. Quem fez a primeira assinatura foi o Geraldo, [e] eu permaneço porque acho que a leitura impressa é muito mais importante”, observa.

Foto: Ivan Fuquini
Assim que tem o jornal em mãos, bate os olhos na manchete. É ali que fica sabendo o principal assunto do dia. A segunda etapa é a coluna social. “Muita gente bonita, as pessoas que visitam [a cidade], políticos”, cita. A página de esportes também ganha atenção especial. Maria Penha se revela corintiana e diz que não deixa de ler as notícias do time.
O hábito da leitura do periódico foi adquirido com o marido. “Ele era o primeiro que lia e passava para a gente, comentava as notícias.” Mesmo após a morte de Geraldo, ela fez questão de manter a tradição como forma de preservar a história construída ao longo dos anos.
Na data em que o Diário do Noroeste publica a vigésima milésima edição, a leitora celebra a resistência da mídia impressa. Para ela, a leitura no papel proporciona um contato mais direto com a informação e abre espaço para que cada um elabore as próprias opiniões, sem interferências externas.

Foto: Ivan Fuquini
Durante toda a vida, Maria Penha encontrou no jornal impresso um momento de aprendizado antes de iniciar as atividades do dia. Mais do que um costume, manter a mesma assinatura ao longo de sete décadas representa um gesto de respeito e reconhecimento. “[O Diário do Noroeste] faz parte da história da cidade. Acho que com todas as dificuldades, com epidemia que passou, tudo isso, o jornal foi sempre aquele veículo certo e que nos informou durante todo esse tempo”, considera.
Parceria além da informação
A relação de Maria Penha Longo com o Diário do Noroeste ganhou ainda mais proximidade há pouco mais de 10 anos, quando ela escolheu o jornal para desenvolver um trabalho junto ao Rotary International. Por meio do projeto “Ler para Crescer”, da Associação das Senhoras de Rotarianos de Paranavaí, ela incentivou a leitura entre crianças e adolescentes a partir do contato com o jornal impresso.
Ao longo de semanas, estudantes do sexto ano do Colégio Estadual Curitiba receberam exemplares do jornal para trabalhar conceitos pedagógicos. O objetivo era utilizar o veículo como instrumento de ensino e apoio no desenvolvimento do hábito da leitura.
“Ao final de dois anos, levamos esse trabalho montado. Foi inédito. Mas o mais interessante é que a criança depois dessa aula levava o jornal para casa e muitas vezes não deixava o pai almoçar enquanto não lesse o jornal, sabe? A gente visitou as famílias, foi lindo demais esse trabalho”, recorda.

Foto: Arquivo pessoal
Histórias como a de Maria Penha Longo ajudam a explicar como o Diário do Noroeste tem alcançado marcos tão significativos. Ao longo de 20 mil edições impressas, o DN construiu laços, marcou momentos e ajudou a contar a história de Paranavaí e de toda a Região Noroeste do Paraná.




