O Dia das Mães segue como uma das datas mais resilientes do calendário do varejo brasileiro — mas, em 2026, essa força vem acompanhada de um elemento cada vez mais determinante: o crédito. Levantamento realizado pela DM com cerca de 3 mil clientes revela que 88,7% dos consumidores pretendem fazer compras ou comprar presentes na data, reforçando o peso emocional da ocasião. Ao mesmo tempo, os dados mostram que essa intenção de consumo está diretamente condicionada às formas de pagamento: 60% devem recorrer ao cartão de crédito parcelado para viabilizar as compras.
A pesquisa retrata um cenário no qual o consumidor não abre mão de comprar presentes, mas que precisa equilibrar desejo e orçamento — e encontra no parcelamento o principal instrumento para isso. “Datas como o Dia das Mães têm um componente emocional muito forte, que faz com que o consumo seja priorizado. O crédito, nesse contexto, deixa de ser apenas um meio de pagamento e passa a ser um facilitador essencial para que essa intenção se concretize”, afirma Ariane Bete, diretora comercial da DM.
Esse movimento ajuda a explicar outro dado relevante da pesquisa: mesmo diante de um cenário econômico ainda desafiador, 39% dos consumidores pretendem gastar acima de R$ 500 com presentes. O tíquete mais elevado convive com uma distribuição relevante em faixas intermediárias, indicando que, embora o orçamento esteja sob pressão, há disposição para investir na data — ainda que isso implique em parcelamento.
Na prática, o comportamento de compra revela um equilíbrio entre razão e emoção. Qualidade do produto (27%), possibilidade de parcelamento (25%) e preço ou descontos (24%) aparecem praticamente empatados entre os principais fatores que influenciam a decisão de compra. Ou seja, o consumidor busca acertar no presente, mas sem perder de vista as condições financeiras.
Apesar do avanço do comércio eletrônico nos últimos anos, o levantamento também mostra que o varejo físico segue predominante em datas afetivas. “Mais da metade dos consumidores (51%) pretende realizar suas compras em lojas físicas, enquanto 22% optam por canais online. A escolha reforça o papel da experiência no processo de compra, especialmente em ocasiões que envolvem vínculo emocional”, explica Ariane Bete.
Quando o assunto é o tipo de presente, o comportamento também revela certa estabilidade. Roupas e acessórios lideram as intenções de compra, seguidos por perfumes e cosméticos e itens para casa. Categorias ligadas a experiências, como viagens ou jantares, ainda aparecem com menor representatividade, indicando que o consumidor brasileiro mantém uma preferência por presentes tangíveis na data.
Outro dado que chama atenção é o perfil do parcelamento. Entre os consumidores que pretendem dividir o pagamento, a maior parte deve optar por prazos mais curtos: 68% pretendem parcelar entre duas e quatro vezes, enquanto apenas uma parcela menor considera prazos mais longos.
O comportamento sugere uma tentativa de conciliar o uso do crédito com maior controle financeiro, evitando compromissos prolongados. “O consumidor está mais atento ao seu planejamento financeiro. Ele utiliza o crédito, mas de forma mais estratégica, buscando prazos que caibam no orçamento e não comprometam sua renda por muito tempo”, completa a diretora executiva. No conjunto, os dados indicam que o Dia das Mães deve manter sua relevância para o varejo em 2026, sustentado por um consumidor que segue disposto a consumir — desde que encontre condições para isso. “Mais do que uma data de apelo comercial, o período se consolida como um termômetro da relação entre consumo, crédito e confiança das famílias brasileiras”, finaliza Ariane Bete.



