Queda no mês não reverte pressão estrutural e mantém impacto relevante sobre custos logísticos e inflação indireta no país
Após atingirem patamares recordes em março, com elevações que chegaram a superar 30%, os preços dos combustíveis nas distribuidoras recuaram 6,04% em abril. Apesar da retração no curto prazo, o movimento não anula a pressão acumulada ao longo do ano, que ainda registra alta de 5,41%, segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT) com base em 497 mil notas fiscais analisadas em todo o país.
O comportamento de abril indica um movimento de acomodação após o pico observado no mês anterior, mas ainda dentro de um patamar elevado. A leitura dos dados mostra que a queda foi disseminada na maior parte das regiões, com destaque para o Centro-Oeste, onde o Diesel S500 comum apresentou a maior retração do período, com recuo de 12,40%. Na mesma região, no entanto, a gasolina comum seguiu trajetória oposta e registrou leve alta de 1,05%, evidenciando a heterogeneidade do movimento entre os combustíveis.
Na média regional, a retração foi liderada pelo Centro-Oeste (-7,86%), seguido por Sul (-7,36%) e Sudeste (-7,13%). Já o Nordeste apresentou uma queda mais moderada (-2,81%), enquanto o Norte registrou redução de 5,05%, reforçando o comportamento desigual entre as regiões.
Mesmo com o recuo em abril, o diesel segue como principal vetor de pressão sobre a economia. Desde o início do ano, os combustíveis acumulam alta relevante, com impacto direto sobre o custo logístico e, consequentemente, sobre a inflação indireta. Esse efeito se intensifica quando observado o período pós-escalada geopolítica iniciada em 28 de fevereiro, quando os preços passaram a refletir com maior intensidade as tensões no cenário internacional.
Nesse recorte, o Nordeste se destaca como a região de maior pressão, com altas de até 24,88% no Diesel S500 comum e 24,39% no Diesel S10 comum desde o início do conflito. Em contrapartida, o etanol se consolida como a principal variável de alívio no sistema, sendo o único combustível a registrar queda no acumulado do ano em grande parte do país, com recuo médio de 7,59% e quedas ainda mais acentuadas após o início da crise internacional.
“A queda observada em abril precisa ser interpretada com cautela. Ela ocorre após um movimento atípico de alta e não representa, necessariamente, uma reversão estrutural de tendência. O mercado ainda opera sob pressão, especialmente no diesel, que continua sendo o principal componente de custo para a cadeia produtiva”, afirma Gilberto Luiz do Amaral, presidente do IBPT.
Na avaliação do executivo, o comportamento recente dos preços reforça a importância de uma leitura mais ampla do cenário.
Para Carlos Pinto, o recuo de abril também evidencia um movimento técnico de ajuste, sem necessariamente indicar estabilidade no médio prazo.
O levantamento também aponta que, embora o etanol funcione como uma alternativa mais competitiva em determinados momentos, seu efeito é limitado do ponto de vista macroeconômico. “O etanol ajuda a aliviar parcialmente o bolso do consumidor, mas não tem o mesmo peso estrutural do diesel na formação de preços da economia. Por isso, seu impacto é mais localizado”, acrescenta Carlos Pinto.
A leitura consolidada do período indica que o mercado de combustíveis segue operando em um ambiente de alta volatilidade, com movimentos de correção no curto prazo, mas ainda sustentado por pressões estruturais relevantes. O comportamento dos próximos meses deve continuar sendo influenciado por fatores externos e pela dinâmica de repasse ao longo da cadeia, mantendo o tema no centro das discussões econômicas.



