Só de ouvir a palavra cirurgia, muitos pacientes já pensam em dor, cortes e longos períodos de internação. Mas, na urologia, os avanços dos últimos anos têm tornado alguns tratamentos mais seguros, menos invasivos e com recuperação mais rápida.
Segundo o médico urologista Cleyton Tokarski, a cirurgia minimamente invasiva reúne diferentes técnicas, como cirurgia robótica, videolaparoscopia, procedimentos com aparelhos flexíveis e cirurgias a laser.
“A cirurgia minimamente invasiva seria mais ou menos uma definição de um conjunto de procedimentos, podendo incluir aparelhos e técnicas para minimizar diversos impactos pós-operatórios”, explica o especialista.
Entre os procedimentos mais avançados está a cirurgia robótica, usada principalmente em casos de câncer de próstata. De acordo com Tokarski, assim como a cirurgia a laser, as técnicas entregam o que há de melhor em reduzir a agressão aos tecidos e favorecem uma recuperação mais rápida.
“A gente tem uma cirurgia praticamente indolor, em que o paciente recebe alta no dia seguinte, simplesmente com analgésico e um antibiótico. Existe uma continência urinária mais precoce do que na cirurgia laparoscópica ou na cirurgia tradicional”, destaca.
O especialista explica que as técnicas tradicionais também têm bons resultados no tratamento da doença, mas a cirurgia robótica se diferencia principalmente pelo conforto no pós-operatório e pelo retorno mais rápido à rotina.
Laser no tratamento da próstata — outro avanço importante está no uso do laser para tratar a hiperplasia prostática benigna, conhecida como aumento da próstata. A condição ocorre quando o crescimento da próstata passa a obstruir o canal urinário.
Os principais sintomas são jato urinário fraco, demora para urinar, necessidade de levantar várias vezes à noite e dificuldade de segurar a urina quando a bexiga está cheia. Na cirurgia a laser, o tecido que causa a obstrução é retirado de forma precisa. Segundo Tokarski, a chance de o problema voltar é muito baixa.
“Você fez uma cirurgia a laser de próstata; provavelmente você nunca mais vai precisar operar ela por obstrução”, afirma.
A recuperação também é mais rápida. Enquanto na raspagem tradicional o paciente pode ficar de dois a três dias internado e permanecer com sonda por até dez dias, no laser a internação costuma durar de 12 a 24 horas, com possibilidade de alta sem sonda.
Com a técnica bem aplicada, o paciente pode voltar a dirigir em cerca de cinco dias e retornar ao trabalho em torno de 21 dias.
Pedras nos rins também têm tratamentos menos invasivos — as pedras nos rins também podem ser tratadas com diferentes técnicas, de acordo com o tamanho, a localização e a densidade do cálculo.
Para pedras menores, uma das opções é a litotripsia extracorpórea, que usa ondas de choque para fragmentar o cálculo, eliminado depois pela urina. Em casos maiores ou mais complexos, podem ser indicadas cirurgias percutâneas, aparelhos flexíveis e laser de alta potência.
Segundo Tokarski, em Paranavaí já há disponibilidade de laser de alta potência para tratar cálculos maiores.
“É possível também fazer fragmentação de cálculos maiores até do que 3 centímetros”, explica. Em alguns casos, o procedimento pode ser feito pela manhã, com alta no mesmo dia.
Procedimentos podem ser feitos na clínica — alguns tratamentos urológicos minimamente invasivos já podem ser realizados em ambiente de clínica, sem necessidade de internação hospitalar prolongada. É o caso de procedimentos para cálculos pequenos e pedras no ureter, que costumam causar cólicas intensas.
Nesses casos, o paciente recebe sedação, o cálculo é fragmentado com laser e, após algumas horas em observação, pode voltar para casa.
Para o médico, os avanços ajudam a reduzir o medo dos pacientes e facilitam o cuidado com a saúde.
A orientação é procurar avaliação médica ao perceber sintomas urinários, dor intensa ou alterações que possam indicar problemas na próstata, rins ou vias urinárias.




