A Polícia Civil do Paraná concluiu o inquérito sobre o caso em que Iria Djanira Ramon Costa Talaska, de 36 anos, e a filha, Maria Laura Ramon Talaska, de apenas 3 anos, morreram após o carro em que elas estavam submergir no Rio Paraná, em Porto Rico. O marido foi indiciado pelos crimes de feminicídio e vicaricídio, quando filho é morto para atingir mulher.
O caso aconteceu no dia 2 de março. Na ocasião, o homem conseguiu sair com vida do veículo, enquanto a mulher e a criança morreram no local. Agora, o Ministério Público irá analisar para oferecer a denúncia, pedir arquivamento ou encaminhar novamente para a Delegacia, requerendo diligências.
Segundo a delegada Iasmin Dias Gregório, responsável pela investigação na Delegacia de Loanda, foram analisadas 23 câmeras de monitoramento ao longo da apuração, colhidos depoimentos de diversas testemunhas e feita a reconstituição do trajeto percorrido pelo carro naquela noite.
De acordo com a delegada, os elementos reunidos apontam de forma categórica que era o investigado quem dirigia o veículo, e não a mulher, como ele havia afirmado em depoimento anterior.
A versão apresentada por ele era de que a esposa estaria ao volante, teria se perdido no caminho e, por isso, acabou entrando na rampa náutica próxima ao aquaparque. Entretanto, a Polícia Civil afirmou que a investigação não encontrou elementos que sustentem essa tese.
Segundo a delegada, o percurso entre o ponto de partida e o local onde o carro entrou no rio tinha cerca de 3 quilômetros e podia ser feito em aproximadamente 8 minutos. A polícia também usou tecnologia com drone para verificar se esse tempo era compatível com a velocidade normal da via, considerando semáforo, placas e quebra-molas.
A conclusão, segundo a investigação, foi de que havia tempo suficiente para o trajeto ser feito por alguém que sabia para onde estava indo. Ainda conforme a delegada, não há no inquérito nenhuma evidência de que o casal tenha parado o carro para pedir informação ou ajuda.
Outro ponto citado pela polícia é que o casal já conhecia a região da beira-rio, onde havia almoçado no mesmo dia, antes de retornar ao local durante a noite.

Os laudos periciais também passaram a sustentar a linha adotada pela investigação. Conforme a Polícia Civil, os exames de necropsia apontaram afogamento como causa da morte das duas vítimas.
Já o laudo no veículo, indicou que o carro tinha plenas condições de funcionamento no momento em que caiu no rio. A perícia apontou ainda que o sistema de freios estava em condições de uso, incluindo o freio de mão.
De acordo com a investigação, o motorista só não teria tempo suficiente para frear se estivesse a uma velocidade média de 144 km/h. A análise concluiu que o veículo não estava nessa velocidade, o que, para a polícia, demonstra que havia plena possibilidade de acionamento do freio.
Os depoimentos dos bombeiros também foram considerados no inquérito. Segundo a delegada, os socorristas relataram que, no momento da retirada dos corpos, a mulher estava no banco do passageiro e a criança no banco traseiro. A polícia também informou que, na retirada do carro, foi observado que ele estava engatado e com o freio de mão desacionado.
Além da dinâmica do caso, a Polícia Civil também afirmou ter identificado uma possível motivação para o crime. De acordo com a delegada, testemunhas contaram que, durante uma confraternização em uma residência antes do ocorrido, a mulher pediu a música “Narcisista”, da dupla Maiara e Maraisa, o que teria gerado um clima de tensão entre o casal.
Ainda segundo a investigação, após esse momento, o homem deixou o local sem se despedir de ninguém e foi até o carro esperar a companheira. Uma testemunha relatou que a mulher entrou no veículo chorando e que, logo depois da saída, ouviu o investigado xingá-la.
Com base no conjunto de provas, a Polícia Civil concluiu que o caso não se trata de acidente, mas de feminicídio e vicaricídio. O homem segue preso à disposição da Justiça.



