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O poder transformador da educação em evidência no mês de comemoração da família

CIDADANIA

Famílias encontram na educação oportunidade de transformação coletiva

Em muitas famílias paranaenses o retorno aos estudos deixou de ser uma decisão individual para se tornar uma experiência compartilhada. Inspirados pelo exemplo de parentes que decidiram retomar a vida escolar, filhos, irmãos, casais e familiares têm dividido também a rotina da sala de aula na Educação de Jovens e Adultos (EJA).

No Dia Internacional da Família, celebrado nesta sexta-feira (15), histórias de Londrina mostram como a educação tem fortalecido vínculos, despertado novos sonhos e criado oportunidades de recomeço em diferentes gerações.

Uma delas é a da Michele Jeniffer Dias Pivaro, de 35 anos, que decidiu voltar a estudar ao lado de quatro familiares no Ceebja de Londrina. Ela retomou os estudos junto com a prima Daniele Cristina, de 29 anos, e o primo Alisson Ângelo, 30.

Depois, os três incentivaram outros dois familiares, Michel Ângelo Pires, de 34 anos, e Vitória Luana Bispo Barbosa, de 23, a também ingressarem na escola. Hoje, todos compartilham a rotina de estudos, indo juntos para as aulas e apoiando uns aos outros nas atividades escolares.

Mãe de quatro filhos, Michele conta que interrompeu os estudos ainda na adolescência, após casar cedo e se dedicar à criação da família. Agora, em uma fase mais tranquila da vida, decidiu retomar os estudos com o objetivo de concluir o Ensino Médio e realizar o sonho de cursar enfermagem. “Eu quero cuidar das pessoas”, destaca.

Um dos principais incentivos para Michele voltar à sala de aula veio do desejo de ser exemplo para os próprios filhos. “Tá na hora de eu estudar e também ser exemplo para os meus filhos, para eles entenderem que escola é importante. Porque sem estudo a gente não é ninguém”, relata.

A rotina da família acabou se transformando em um incentivo coletivo. Michele conta que busca os familiares em casa para irem juntos à escola e que todos compartilham atividades, estudos e experiências dentro e fora da sala de aula. Para ela, voltar a estudar em família tornou o processo mais leve e motivador.

Na sala, os três costumam sentar juntos, um atrás do outro. Michele fica na primeira carteira da fileira, seguida pela prima Daniele e pelo primo Alisson. Segundo ela, os dois disputam o posto de mais estudioso da turma. “O Alisson compete muito com a Dani”, brinca.

Quando surgem dúvidas nas atividades, Michele costuma pedir ajuda para os familiares durante as aulas. “Eu pergunto para Dani, e se ela não sabe, pergunta para o Alisson”, conta.

A parceria também continua fora da escola. Quando um deles precisa faltar, os outros fazem questão de comparecer às aulas para depois repassar os conteúdos e atividades. “A gente sempre tenta ir um para a escola para não faltarem todos”, explica Michele.

Aula com a sogra – Outro exemplo de como a educação tem aproximado famílias é a história de Fernanda Aparecida Ribeiro, de 37 anos, que divide a rotina de estudos com o genro, Daniel Alves Teixeira, de 18 anos, no Ceebja de Londrina. Juntos, eles frequentam as aulas, fazem trabalhos escolares em dupla e estudam os conteúdos em casa, transformando o aprendizado em um incentivo mútuo.

Daniel, namorado da filha de Fernanda, decidiu retomar os estudos pensando no crescimento profissional e nos planos para o futuro. Segundo Fernanda, apesar da pouca idade, ele já entende a importância da educação para construir uma profissão e ampliar oportunidades.

A trajetória de Fernanda com os estudos foi interrompida ainda aos 18 anos, quando engravidou da filha e enfrentou uma gestação de risco. Desde então, dedicou-se à família e só voltou à sala de aula após ver a filha concluir a educação básica.

“Voltei a estudar no ano passado, quando minha filha terminou os estudos e completou 18 anos. Agora ela está estudando para vestibular porque quer ser médica”, conta Fernanda, que atualmente cursa o equivalente ao Ensino Médio e deve concluir os estudos em cerca de dois meses.

Ela afirma que decidiu retornar à escola em busca de crescimento pessoal e profissional e compartilha o sonho de atuar na área da saúde, pretendendo fazer um curso técnico em enfermagem. “A gente sempre colhe o que planta nos estudos”, afirma. “Não tem coisa melhor do que voltar a estudar. Não somos nada sem os estudos”.

Fernanda também faz parte de uma família marcada pela retomada da educação na vida adulta. Ela é a mais nova de três irmãs que decidiram voltar à escola depois de adultas. Cleusa Aparecida Ribeiro, de 38 anos, já concluiu os estudos, enquanto Eliza Regina Ribeiro, de 40 anos, cursa a EJA no Colégio Estadual Professor José Carlos Pinotti, em Londrina.

Entre cadernos, trabalhos e expectativas para o futuro, a família encontrou na educação uma oportunidade de transformação coletiva, com a família e pela família.

A diretora do Ceebja de Londrina, Rosangela Lopes, explica que o incentivo já começa no ato da matrícula. “Além de orientar os estudantes sobre o funcionamento da EJA, a escola também conversa com pais e responsáveis sobre a própria trajetória escolar e os convida a retomar os estudos caso ainda não tenham concluído a educação básica. Muitas famílias acabam enxergando nessa conversa uma oportunidade de recomeço e passam a compartilhar a experiência da sala de aula”, conta.

Fonte: Assessoria

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