Meninas e mulheres deixam de frequentar o ambiente escolar 45 dias ao ano por questões ligadas à dignidade menstrual. Considerando os 220 dias letivos, a ausência representa aproximadamente 20% do tempo total.
A informação baseada em números do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revela uma realidade preocupante. Meninas e meninos entram na escola nas mesmas condições, mas elas são privadas de uma parte considerável do acesso à educação por condições inadequadas de cuidados com a saúde menstrual.
Juíza da segunda Vara Cível de Paranavaí, Maria de Lourdes Araújo, avalia: “Isso acontece por uma condição biológica. A pessoa não escolhe se quer menstruar ou não. Eu digo que menstruar é tão natural quanto respirar, dormir, sentir fome, sede e assim por diante. Só que se construiu um mito muito grande em torno desse tema. Não pode falar, é algo sujo, é algo que as pessoas não tocam no dia a dia. Isso invisibiliza essa necessidade especificamente feminina”.
Maria de Lourdes visitou o Diário do Noroeste na manhã desta segunda-feira (18) para falar do lançamento do projeto de extensão universitária “Dignidade menstrual na escola”. O evento será na próxima segunda-feira (25), às 16h30, no auditório da Unifatecie, na BR-376, com entrada gratuita.

Foto: Ivan Fuquini
A iniciativa reúne entidades e instituições que atuam em áreas como educação, saúde e garantia de direitos. Além do Poder Judiciário e da Unifatecie, o projeto conta com apoio do Instituto Federal do Paraná (IFPR), da Defensoria Pública do Paraná e do coletivo Antígona – um grupo formado por mais de 230 juízas paranaenses, cuja principal bandeira é a equidade de gênero.
Entre as ações destacadas por Maria de Lourdes estão a capacitação de professores e educadores por meio de aulas virtuais gratuitas disponibilizadas no site do IFPR e a distribuição de materiais gráficos sobre o tema, como a cartilha educativa no formato de história em quadrinho.
Com abordagem lúdica e muita informação, o gibi estampa mais do que conhecimento. De maneira clara e consciente, proporciona a oportunidade de promover debates sobre polêmicas que giram ao redor da menstruação – cultural, social e economicamente.
A juíza defende a perenidade do projeto. A ideia é que as informações sejam levadas a meninas e meninos do oitavo ano do ensino fundamental, e essa proposta já conta com resposta positiva do Núcleo Regional de Educação de Paranavaí, que inclui mais de 20 municípios do Noroeste do Paraná, totalizando 44 escolas e cerca de 3.000 adolescentes.
“O que é importante colocar é que estou falando especificamente do direito da menina de estar na escola, que é um direito básico que emancipa e dá cidadania”, diz Maria de Lourdes.
A data escolhida para o lançamento oficial do projeto em Paranavaí é estratégica, porque antecede o Dia Mundial da Dignidade Menstrual, celebrado em 28 de maio. A data é simbólica, conforme explica a juíza: “28 é o número médio de dias entre uma menstruação e outra; e cinco, que é maio, é o número de dias em que, em regra, a pessoa fica menstruada”.



