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SEGURANÇA PÚBLICA

Delegacia da Mulher de Paranavaí ganha nova sede e amplia estrutura de acolhimento às vítimas de violência

Novo espaço inaugurado nesta sexta-feira busca garantir mais privacidade, dignidade e qualidade no atendimento às mulheres; unidade passa a funcionar na Rua Antônio Vendramim

A Delegacia da Mulher de Paranavaí passou a funcionar oficialmente em um novo endereço a partir desta sexta-feira (22). A unidade agora está instalada na Rua Antônio Vendramim, nº 2301, em um espaço exclusivo e estruturado para oferecer mais acolhimento, privacidade e melhores condições de atendimento às mulheres vítimas de violência.

A inauguração representa um avanço importante na política pública de proteção às mulheres no município e em toda a região atendida pela unidade especializada. Até então, a delegacia funcionava anexa à 8ª Subdivisão Policial de Paranavaí, estrutura considerada limitada diante do crescimento da demanda e da necessidade de um ambiente mais reservado para as vítimas.

Durante a inauguração, autoridades da segurança pública destacaram que a nova sede vai além da mudança física. O objetivo é garantir um atendimento mais humanizado, sensível e adequado às mulheres que procuram ajuda em momentos de extrema vulnerabilidade.

Segundo a chefe da Divisão de Polícia Especializada, Luciana de Novaes, a criação da nova estrutura representa um investimento direto na proteção e no cuidado com as vítimas. “Criar essa estrutura aqui é um grande investimento nas pessoas, nas mulheres vítimas, investimento da segurança pública, para que a gente possa efetivamente acolher as mulheres e dar uma resposta de justiça para tantas mulheres que hoje são vítimas de violência”, afirmou.

Ela ressaltou ainda que o novo espaço simboliza o fortalecimento de políticas públicas voltadas à proteção feminina. “Essa estrutura mostra todo o equilíbrio da gestão pública, de que nós precisamos valorizar e cuidar das mulheres. Ter esse espaço separado vai oportunizar uma qualidade de atendimento. A mulher chega sempre muito fragilizada, machucada emocionalmente e exposta. Estar em um ambiente reservado faz toda a diferença”, destacou.

Espaço exclusivo para acolhimento

De acordo com o delegado da Delegacia da Mulher de Paranavaí, Luciano Nendza Dias, a antiga estrutura já não comportava mais a demanda crescente de atendimentos. “A Delegacia da Mulher estava instalada anexada à subdivisão policial desde 1998 e a demanda no tocante à violência contra as mulheres só aumenta. Com o trabalho de divulgação, prevenção e encorajamento, as mulheres passaram a denunciar mais, e isso aumentou significativamente o volume de trabalho”, explicou.

Delegado da Delegacia da Mulher de Paranavaí, Luciano Nendza Dias

Segundo ele, o crescimento das denúncias exigiu uma ampliação física e operacional da unidade. “Precisávamos de mais espaço para o trabalho funcionar adequadamente e também para melhor atender as mulheres. Agora conseguimos separar as vítimas do público em geral, o que proporciona mais acolhimento e privacidade”, afirmou.

Um dos destaques da nova estrutura é a chamada “Sala Lilás”, ambiente reservado destinado especialmente ao atendimento das vítimas. “Não é apego à cor, mas ao significado do espaço. É um ambiente reservado onde a mulher pode se sentir mais confortável e segura para relatar situações extremamente delicadas. Muitas chegam fragilizadas, emocionalmente abaladas, e precisam desse acolhimento”, disse.

Segundo o delegado, embora os serviços prestados continuem os mesmos, a nova sede melhora significativamente a forma como esse atendimento será realizado. “O trabalho policial é regido por leis e continuará sendo o mesmo, mas agora conseguimos oferecer um ambiente mais digno, reservado e acolhedor para essas mulheres”, completou.

Combate à violência vai além da repressão

Luciana de Novaes também destacou que o enfrentamento à violência contra a mulher não acontece apenas por meio da repressão policial, mas também através de ações preventivas e integradas entre diferentes órgãos públicos. Ela explicou que a Secretaria de Estado da Segurança Pública desenvolve atualmente o programa Mulher Segura, que atua em diversas frentes de proteção e conscientização.

“Hoje trabalhamos muito também na prevenção. Todos os nossos policiais são capacitados para dialogar com jovens, justamente para construir uma nova mentalidade sobre respeito às mulheres e combate à violência”, afirmou.

Luciana de Novaes, chefe da Divisão de Polícia Especializada

Segundo ela, o objetivo é atuar diretamente na transformação cultural da sociedade. “Quando os jovens se conscientizam sobre a violência contra a mulher, nós teremos um futuro diferente. Os homens precisam entender que agressão não é postura aceitável e que não existe relação de subordinação entre homem e mulher”, disse.

Luciana também destacou o trabalho integrado com outros órgãos da rede de proteção, como assistência social, CRAS, CREAS e Patrulha Maria da Penha. “Hoje não basta apenas prender o agressor. Também nos preocupamos com o que acontece com essa mulher depois da agressão. Existe todo um acompanhamento, visitas e suporte para ajudá-la a sair do ciclo da violência”, ressaltou.

Outro mecanismo destacado foi o monitoramento eletrônico de agressores em casos de medidas protetivas. “O agressor pode usar tornozeleira eletrônica enquanto a mulher recebe um dispositivo de alerta. Caso ele se aproxime dela, o sistema avisa imediatamente para que ela possa procurar proteção. São ferramentas extremamente importantes para evitar tragédias”, explicou.

Atendimento especializado

Um dos temas abordados durante a inauguração foi o fato de a Delegacia da Mulher de Paranavaí ser comandada atualmente por um delegado homem, situação que ainda gera debate entre parte da população. Luciana ressaltou que o mais importante é a qualificação e a sensibilidade dos profissionais responsáveis pelo atendimento.

“Muitas políticas públicas realmente buscam ampliar a representatividade feminina, mas o mais importante é que exista empatia, preparo e sensibilidade. O doutor Luciano tem um perfil extremamente comprometido com essa temática”, afirmou.

Ela destacou ainda que nem sempre a escuta da vítima é feita diretamente pelo delegado. “Muitas vezes, quem realiza esse primeiro atendimento é uma agente da Polícia Judiciária, uma servidora ou até uma assistente social com perfil adequado para acolher aquela mulher. O importante é não haver pré-julgamento e garantir um atendimento humanizado”, pontuou.

Crescimento das denúncias

O delegado Luciano Nendza Dias também chamou atenção para os números relacionados à violência doméstica e feminicídio no país e na região. “Em 2025, o Brasil registrou cerca de 1.500 feminicídios, o que representa aproximadamente quatro mulheres assassinadas por dia”, afirmou.

Embora Paranavaí tenha registrado um feminicídio no ano passado, o delegado alerta que os números precisam ser analisados além das estatísticas. “Quando falamos em um feminicídio por ano, pode parecer pouco, mas até chegar ao feminicídio, essa mulher normalmente já sofreu todos os outros tipos de violência antes”, destacou.

Segundo ele, o fortalecimento da denúncia é uma das principais ferramentas para evitar casos mais graves. “A Polícia Civil atua fortemente na repressão, mas também investe muito na prevenção e no encorajamento para que as mulheres denunciem seus agressores”, afirmou.

Canais de denúncia

As autoridades reforçaram que mulheres vítimas de violência podem procurar ajuda de diferentes formas. Em casos de emergência ou agressão em andamento, a orientação é acionar imediatamente a Polícia Militar pelo telefone 190. Também estão disponíveis o número 180, canal nacional de atendimento à mulher, além do Disque 100.

O delegado destacou ainda que denúncias anônimas podem ser feitas por qualquer pessoa. “Qualquer cidadão pode denunciar situações de violência doméstica. Muitas vezes, vizinhos, amigos ou familiares percebem sinais que a própria vítima ainda não conseguiu denunciar”, explicou.

Fonte: Cibele Chacon - da redação

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