O Maio Roxo é o mês de conscientização sobre as Doenças Inflamatórias Intestinais (DIIs), grupo de enfermidades crônicas que vêm apresentando aumento progressivo no Brasil. De 2012 a 2020, conforme um estudo divulgado na revista científica The Lancet, houve 12% de aumento das DIIs no mundo. Entre as principais doenças estão a Doença de Crohn e a retocolite ulcerativa, condições que impactam diretamente a qualidade de vida dos pacientes e exigem acompanhamento médico contínuo.
A campanha busca ampliar o conhecimento da população sobre os sinais de alerta, estimular o diagnóstico precoce e combater o preconceito em torno de sintomas intestinais que, muitas vezes, acabam sendo negligenciados.
Segundo a Sociedade Paranaense de Coloproctologia, embora ainda exista limitação de dados epidemiológicos atualizados no Brasil, especialistas observam um crescimento no número de diagnósticos nos últimos anos, especialmente entre adultos jovens. Estudos nacionais e internacionais apontam que fatores relacionados ao estilo de vida urbano, alimentação ultraprocessada, alterações da microbiota intestinal, predisposição genética e fatores ambientais podem estar relacionados ao aumento das doenças inflamatórias intestinais.
“Na prática clínica percebemos um aumento significativo no número de pacientes diagnosticados nas últimas décadas. Isso reforça a necessidade de conscientização, informação e acesso ao diagnóstico especializado”, afirma o presidente da Sociedade Paranaense de Coloproctologia, Dr. Paulo Kotze.
Doenças inflamatórias intestinais
As DIIs são doenças crônicas caracterizadas por inflamação do trato gastrointestinal. A retocolite ulcerativa acomete principalmente o intestino grosso e o reto, enquanto a Doença de Crohn pode atingir qualquer parte do sistema digestivo, da boca ao ânus.
Os sintomas variam conforme o quadro clínico, mas os mais comuns incluem diarreia persistente, dor abdominal, presença de sangue nas fezes, perda de peso involuntária, fadiga constante, urgência para evacuar, anemia e febre em alguns casos.
A médica coloproctologista Mariane Sávio, da Sociedade Paranaense de Coloproctologia, alerta que sintomas persistentes não devem ser considerados “normais” ou tratados apenas com automedicação. “O diagnóstico precoce faz diferença no controle da doença e na qualidade de vida do paciente. Muitas pessoas convivem durante anos com sintomas intestinais antes de procurar ajuda especializada”, destaca a especialista.
O diagnóstico das DIIs envolve avaliação clínica, exames laboratoriais, colonoscopia com biópsia e exames de imagem. Como os sintomas podem se confundir com outras doenças intestinais, a avaliação médica especializada é fundamental.
Apesar de ainda não haver cura definitiva, os tratamentos evoluíram significativamente nos últimos anos. Hoje, há medicamentos capazes de controlar a inflamação intestinal, reduzir crises e permitir que muitos pacientes tenham vida ativa e produtiva. O tratamento pode incluir medicamentos anti-inflamatórios, imunossupressores, terapias biológicas, mudanças alimentares e, em alguns casos, cirurgia.
Tratamento no SUS
As diretrizes mais recentes do Ministério da Saúde para tratamento da Retocolite Ulcerativa e da Doença de Crohn também vêm ampliando as possibilidades terapêuticas no Sistema Único de Saúde (SUS), incorporando novos protocolos e estratégias de manejo clínico.
Embora não exista uma forma comprovada de prevenção das doenças inflamatórias intestinais, hábitos saudáveis podem contribuir para a saúde intestinal de forma geral. Alimentação equilibrada, prática de atividade física, controle do estresse, abandono do tabagismo e acompanhamento médico regular estão entre as recomendações dos especialistas.
Maio Roxo
Durante o Maio Roxo, a Sociedade Paranaense de Coloproctologia reforça a importância de falar sobre saúde intestinal sem tabu e incentivar a população a procurar avaliação médica diante de sintomas persistentes.
“Informação e conscientização são fundamentais para reduzir o atraso no diagnóstico e melhorar o cuidado aos pacientes. O Maio Roxo é um convite para que a sociedade fale mais sobre saúde intestinal e entenda que sintomas persistentes precisam ser investigados”, conclui Dr. Paulo Kotze.



