O caso que começou a ser investigado como uma tragédia familiar em Porto Rico agora avança na Justiça com uma acusação formal do Ministério Público do Paraná. Um homem, de 39 anos, foi formalmente denunciado pelos homicídios da esposa, de 36 anos, e da filha, de três anos, mortas no dia 2 de maio, depois que o carro da família entrou no Rio Paraná.
A denúncia foi apresentada na segunda-feira (25) pela Promotoria de Justiça de Loanda. Segundo o Ministério Público do Paraná, assim como acredita a Polícia Civil, o homem lançou de propósito o veículo nas águas do rio, provocando a morte das duas vítimas por afogamento.
Em relação à morte da criança, o MP sustenta a qualificadora do vicaricídio. De acordo com a denúncia, a filha teria sido usada como forma de causar sofrimento e punição à esposa dentro do contexto da relação familiar.
Segundo o que foi apurado na investigação, o casal passou o dia em Porto Rico, onde visitou o filho mais velho e participou de uma confraternização na casa de amigos. Na saída, por volta das 22h15, o homem teria começado a insultar a esposa dentro do carro.
Na sequência, ainda conforme a denúncia, ele dirigiu em alta velocidade até uma rampa náutica próxima ao Aqua Park Resort e entrou com o veículo no Rio Paraná.
O Ministério Público afirma que, depois que o carro submergiu, o homem saiu do automóvel e nadou até a margem sem tentar resgatar imediatamente a esposa e a filha, que permaneceram no interior do veículo. Os laudos da Polícia Científica apontaram que as duas morreram por asfixia mecânica por afogamento.

Na acusação, o MP também sustenta que o crime contra a esposa foi praticado por motivo torpe. A denúncia aponta que o homem teria se sentido afrontado depois que a mulher pediu, durante a confraternização, a música “Narcisista”, interpretada por ele como uma referência ao relacionamento dos dois.
Ainda segundo o Ministério Público, o caso estava inserido em um contexto de violência doméstica e familiar marcado por ciúmes excessivos, violência psicológica e menosprezo à condição da vítima como mulher.
O MP cita ainda a nova legislação que trata o vicaricídio como crime autônomo. Instituído pela Lei 15.384/2026, ele ocorre quando o homicídio acontece no contexto de violência doméstica e atinge alguém dependente ou sob guarda da mulher, com a intenção de provocar sofrimento. O homem segue preso preventivamente desde o dia 8 de maio.




