De janeiro a abril, a cotação da arroba bovina acumulou aumento de 13,15%, passando de R$ 320,60 no primeiro mês a R$ 362,77 no final do quadriênio. A partir de maio, os preços baixaram consecutivamente, chegando a R$ 328,08 em 15 de julho, conforme números do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). Apesar da queda de 9,56%, o valor ainda está acima do registrado no começo de 2026.

Foto: Ivan Fuquini
O movimento do mercado do boi gordo brasileiro está diretamente ligado às transações comerciais internacionais. O médico veterinário da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab) Thiago De Marchi, que atua no Departamento de Economia Rural (Deral), explica que o preenchimento da cota de exportação para a China reduziu o ritmo de negociações.
Ele avalia que, mesmo diante desse cenário, “o nível de preços permanece elevado, indicando que, embora a China seja o principal destino da carne bovina brasileira, a interrupção temporária das compras não compromete de forma catastrófica o mercado nacional”.
O que ocorre, diz o médico veterinário, é a desaceleração do abate em frigoríficos, principalmente porque os pecuaristas que abastecem o mercado chinês suspendem temporariamente o fornecimento. “Os produtores não vendem, a não ser que precisem. Quase sempre eles têm a possibilidade de manter os animais por mais tempo e esperar que o preço melhore.”

Foto: Ivan Fuquini
Varejo
Enquanto as vendas externas interferem diretamente na vazão produtiva, os preços da carne bovina no varejo se mantêm no mesmo patamar. Em Paranavaí, o empresário Luiz Ricardo Mendes Alonso conta que até agora os valores repassados aos açougues não sofreram qualquer alteração. “Estamos esperando essa baixa faz tempo.”
A expectativa é que haja redução a partir da próxima semana, mas ele não espera que a diferença seja muito significativa. Nos últimos meses, calcula o empresário, o preço caiu apenas R$ 0,30. A justificativa: os frigoríficos não repassam.
O médico veterinário do Deral afirma que normalmente os reajustes – para cima ou para baixo – demoram a chegar até a ponta, pois os frigoríficos estocam o produto e vendem aos estabelecimentos varejistas com base no preço de compra. Sendo assim, diz De Marchi, considerando a variação dos últimos meses, “é provável que haja reflexo no mercado interno, ainda que com atraso”.
Do ponto de vista do consumidor final, não há muito para comemorar. As previsões indicam que dentro de 60 dias, quando o Brasil retomar as exportações de carne bovina para a China, o produto voltará a subir no âmbito doméstico.
De acordo com o empresário Luiz Ricardo Mendes Alonso, entre os cortes bovinos mais consumidos, com valores acessíveis, estão o acém e o músculo, ambos com o quilo vendido a R$ 39,98. Sendo assim, para os clientes, as carnes de frango e de porco, mais baratas, tornam-se alternativas viáveis em épocas de alta do boi.

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