Paranavaí celebra neste domingo (30) os 60 anos do Festival de Música, Poesia e Concurso Literário de Contos de Paranavaí (Femup) com uma programação especial na Praça dos Pioneiros, a partir das 18h. Realizado pela Prefeitura, por meio da Fundação Cultural, com apoio cultural do Sesc Paraná, o evento terá apresentações do DJ Rizzato e do declamador Dorival Torrente, além do show do grupo Fat Family.
A celebração ocorre em um momento simbólico para o festival. Em julho deste ano, o Governo do Paraná sancionou a Lei nº 23.348, que reconhece o Femup como Patrimônio de Natureza Cultural e Imaterial do Estado. A legislação destaca o festival realizado anualmente pela Prefeitura de Paranavaí e abre caminho para seu registro como bem cultural imaterial paranaense.
Uma história que começou em 1966
A primeira edição do Femup foi realizada em 12 de maio de 1966, no Tênis Clube de Paranavaí. Desde então, o festival atravessou gerações e se consolidou como um espaço dedicado à música, à poesia, ao conto e à declamação, ajudando a construir a identidade cultural de Paranavaí como Cidade Poesia.
Para o diretor-presidente da Fundação Cultural de Paranavaí, Rafael Torrente, a comemoração dos 60 anos ganha uma dimensão ainda maior justamente por acontecer no mesmo momento em que o Femup passa a ser oficialmente reconhecido como patrimônio cultural e imaterial do Paraná.

“É motivo de muito orgulho, de alegria, de felicidade, porque esse reconhecimento também representa mais força para o festival, mais longevidade ainda. Então é muito importante isso.”
“Ele é nosso”
Na avaliação de Torrente, talvez uma das principais razões para a permanência do Femup seja justamente sua origem. O festival nasceu em Paranavaí, a partir do movimento estudantil, e cresceu junto com a própria história cultural do município.
Para ele, são os vínculos construídos ao longo de seis décadas que explicam a capacidade de o evento atravessar gerações. “Ele permanece tanto tempo assim pelo amor que as pessoas têm pelo festival, pelo respeito por tudo que foi construído ao longo dessas seis décadas.”
É uma espécie de patrimônio feito também de afetos. Antes de estar em uma lei, o Femup já estava na memória de quem participou, assistiu, escreveu, cantou, declamou ou simplesmente sentou em uma plateia para ouvir uma história.
Música, poesia e encontro de gerações
A pluralidade é outra característica que ajudou a definir a trajetória do festival. Ao longo dos anos, o Femup colocou diferentes manifestações artísticas lado a lado e recebeu participantes de várias partes do Brasil.
Para Torrente, essa diversidade é um dos elementos mais importantes do evento. “Nós recebemos mais de mil inscrições todos os anos, reunindo no mesmo palco música, poesia, conto e literatura. Então essa conexão que existe entre a música e a literatura aproxima bastante as pessoas.”
O encontro, segundo ele, acontece não apenas entre artistas e público, mas também entre os próprios participantes. “Acontecem trocas muito interessantes. As pessoas se conhecem, conversam, vêm de diferentes regiões do Brasil. Isso é muito importante.”
A programação deste domingo foi pensada justamente para traduzir essa pluralidade. A abertura ficará por conta do DJ Rizzato, artista local contratado por meio do edital de credenciamento “Viva a Cultura”, segundo a Fundação Cultural.
Na sequência, o público acompanhará uma homenagem especial ao Femup com o declamador Dorival Torrente, nome que também faz parte da própria história do festival.
Dorival Torrente tem uma trajetória ligada à cultura de Paranavaí desde os primeiros anos de efervescência artística do município. Ele participou da fundação do Gralha Azul e também atuou no Teatro Estudantil de Paranavaí (TEP), mas foi na declamação que construiu uma de suas principais marcas artísticas. Seu repertório reúne dezenas de poemas, e a atividade se tornou parte de seu cotidiano.
A participação de Dorival na celebração, portanto, ganha um significado especial: é a própria memória do Femup subindo novamente ao palco.
Depois da homenagem, a noite segue para a música com o show do Fat Family, grupo vocal formado pela família Cipriano, de Sorocaba, que se tornou um dos nomes marcantes da música brasileira nos anos 1990 e 2000.
O grupo ganhou projeção nacional a partir de 1998, quando lançou seu primeiro álbum pela EMI e alcançou grande sucesso com músicas como “Jeito Sexy”, versão de “Shy Guy”, de Diana King, além de “Onde Foi Que Eu Errei?” e “Gulosa”. A característica vocal do grupo e sua famosa coreografia com movimentos de pescoço ajudaram a transformar o Fat Family em um fenômeno popular.
Atualmente, a formação é composta pelas irmãs Simone, Suzete e Kátia Cipriano, que retomaram os palcos e celebraram os 25 anos de carreira do grupo em uma turnê iniciada em 2023.
Para Torrente, a população de Paranavaí e da região está convidada a viver esse momento. “É um grande festival, conhecido nacionalmente, e é motivo de muito orgulho para nós que somos daqui”.



