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Foto: Reprodução

MEIO AMBIENTE

Reino Unido anuncia US$ 540 milhões para Fundo de Florestas criado pelo Brasil

O Reino Unido anunciou nesta quinta-feira (3) que investirá 400 milhões de libras esterlinas, cerca de US$ 540 milhões (R$ 2,7 bilhões), no Fundo Florestas Tropicais para Sempre, conhecido como TFFF, na sigla em inglês.

A contribuição será feita na forma de um empréstimo e está sujeita à finalização dos mecanismos de governança e operação do TFFF e à participação do governo britânico nas estruturas de decisão do fundo, segundo comunicado do Departamento de Segurança Energética.

O aporte eleva o total investido no TFFF a US$ 7,3 bilhões (R$ 37,6 bilhões). O mecanismo precisa alcançar US$ 10 bilhões (R$ 51,2 bilhões) até o final do ano para manter o investimento da Noruega, de US$ 3 bilhões (R$ 15,3 bilhões).

O governo Lula (PT) lançou o fundo às vésperas da COP30, a conferência climática das Nações Unidas realizada em Belém em novembro do ano passado. O instrumento pretende remunerar tanto os doadores como os países que protegem florestas tropicais.

“Com o investimento britânico no TFFF, o empréstimo será reembolsado, ao mesmo tempo que continuará apoiando ações em favor do clima e da natureza. Isso demonstra a nova abordagem do Reino Unido para o financiamento climático, atuando como investidor, em vez de doador”, afirma o comunicado.

A contribuição do Reino Unido ficou abaixo dos investimentos de outros países europeus. A Alemanha confirmou € 1 bilhão, o equivalente a R$ 5,9 bilhões, enquanto a França aprovou € 500 milhões (R$ 2,9 bilhões).

O governo britânico havia desistido de sinalizar investimento durante a COP30, e a incerteza acerca de uma possível contribuição aumentou com a renúncia de Keir Starmer ao cargo de primeiro-ministro, em junho.

Mauricio Voivodic, diretor-executivo do WWF Brasil (Fundo Mundial para a Natureza), diz que o anúncio do país é significativo: “Este compromisso reforça uma mudança necessária na forma como o mundo reconhece e financia a conservação das florestas tropicais: valorizando quem as protege e garantindo recursos de longo prazo para que essa proteção seja efetiva”.

“Esperamos que o compromisso do Reino Unido seja um estímulo para que outros países avancem também e ajudem a levar essa solução à escala que a crise exige”, afirma.

A meta do TFFF, sem prazo definido, é receber US$ 25 bilhões (R$ 128 bilhões) em recursos públicos e US$ 100 bilhões (R$ 512 bilhões) de fontes variadas, inclusive particulares, totalizando US$ 125 bilhões (R$ 640 bilhões).

O TFFF usará os US$ 125 bilhões para aplicar em uma carteira de investimentos diversificados de renda fixa, com rendimentos de 7% a 8% ao ano. Os financiadores devem ficar com uma fatia de cerca de 4% dos rendimentos, e os países que preservarem florestas receberão outros 4%. O fundo pagará US$ 4 (R$ 20,50) por hectare conservado e reduzirá o pagamento se houver desmatamento ou degradação por fogo.

Até 74 países em desenvolvimento, inclusive o Brasil, poderão ser recompensados se mantiverem suas matas em pé. Ao menos 20% dos rendimentos de cada nação deverão ser destinados para povos indígenas e comunidades locais.

Fonte: GABRIEL GAMA - DA FOLHAPRESS

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