Mais notícias...

Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors

Mais notícias...

Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors
Compartilhe:
*Marcelo Mendes é gerente-geral da KRJ Conexões. É economista e executivo de marketing e vendas do setor elétrico há mais de 15 anos, com atuação inclusive em vários mercados internacionais

O GARGALO INVISÍVEL DO CRESCIMENTO

Por que o futuro das empresas passa pela educação corporativa

Vivenciamos uma era em que a tecnologia avança em ritmo exponencial, as ferramentas de inteligência artificial redesenham processos da noite para o dia e a transformação digital deixou de ser um diferencial para se tornar condição básica de sobrevivência. No entanto, ao olharmos para dentro das organizações, o verdadeiro obstáculo para o crescimento não reside na escassez de softwares ou na falta de capital de giro. O gargalo é humano — e os números recentes do mercado comprovam isso.

Pela primeira vez na história do relatório Tendências em Gestão de Pessoas do Great Place To Work (GPTW Brasil), o desenvolvimento e a capacitação da liderança assumiram o 1º lugar como o maior gargalo operacional das empresas, sendo citados por 43,9% dos líderes. Em paralelo, o recorte nacional da PwC revela que 33% dos CEOs no Brasil admitem simplesmente não conseguir contratar os talentos necessários para sustentar suas próprias transformações digitais.

Esses dois dados, quando cruzados, revelam uma verdade incômoda: estamos tentando acelerar o futuro com ferramentas modernas, mas usando manuais de gestão obsoletos. Temos ainda a ilusão de que o mercado vai nos entregar o profissional pronto. Durante muito tempo, a estratégia corporativa padrão para suprir lacunas de competência era a contratação externa. Se faltava uma habilidade específica, buscava-se no mercado o “profissional pronto”. Hoje, o cenário macroeconômico e a velocidade das inovações tornaram essa estratégia insustentável.

Não há volume suficiente de talentos qualificados circulando para suprir a demanda digital e operacional das companhias. Se o mercado não está gerando esses profissionais na velocidade que precisamos, a única saída viável para as empresas é assumir o papel de formadoras. É aqui que a educação corporativa deixa de ser vista como um benefício secundário ou um “treinamento de prateleira” e passa a ser o núcleo estratégico da sobrevivência empresarial.

O dado do GPTW mostra que a dor da liderança é reflexo direto dessa lacuna. Promovemos técnicos excelentes a cargos de gestão sem prepará-los adequadamente para lidar com a complexidade humana, a gestão de conflitos, a inteligência emocional e a visão estratégica. Esperamos que líderes guiem equipes por transformações profundas sem nunca tê-los capacitado para isso. O resultado é o esgotamento operacional, a queda de engajamento e a perda de competitividade.

Precisamos entender hoje a educação corporativa como motor de retenção e performance, uma vez que investir em educação dentro do universo corporativo não significa apenas cumprir cronogramas de palestras ou disponibilizar cursos genéricos. Significa criar uma cultura de aprendizado contínuo, onde o erro é transformado em análise e a rotina diária é constantemente questionada por meio de metodologias práticas.

Quando a empresa assume a responsabilidade de desenvolver as competências dos seus colaboradores — do chão de fábrica à alta diretoria —, dois fenômenos imediatos acontecem: Atrás dos gargalos operacionais, surgem soluções uma vez que líderes capacitados ganham autonomia para redesenhar processos, negociar melhor e otimizar recursos financeiros, estancando os maiores ralos de produtividade e desperdício das organizações.

Hoje o manual de retenção e atração de talentos passa pelo entendimento que profissionais ambiciosos, especialmente as novas gerações que ingressam no mercado com sede de protagonismo, não buscam apenas um salário; eles buscam um ambiente onde possam evoluir.

Empresas que ensinam são empresas que retêm. A virada de chave que precisamos dar passa pela consciência que a transformação de uma empresa não acontece de cima para baixo por decreto, nem de baixo para cima por acaso. Ela acontece no meio, na camada de liderança que traduz a estratégia em execução diária. Se quisermos vencer o desafio apontado pelos relatórios e destravar o potencial de crescimento das nossas organizações, precisamos parar de esperar que o mercado resolva o nosso déficit de qualificação. A resposta está dentro de casa.

Capacitar nossa gente, lapidar nossos líderes e transformar o ambiente de trabalho em um polo contínuo de aprendizado não é mais um luxo gerencial. É a única estratégia capaz de sustentar o futuro dos negócios no Brasil.

Fonte: *Marcelo Mendes

Compartilhe: