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Terezinha de Nadai é professora, integrante da Academia de Letras e Artes de Paranavaí – Alap

ALAP

Afonia

A voz quando ecoa das entranhas do ser

Expressa uma multidão de palavras.

Palavras estas de perdão ou de revolta,

De paz ou de desmando.

Por vezes emudece sentimentos,

Revivendo encenações

Referentes ao palco da vida,

Assertivas ou não.

Quando ecoa afônica

Rebate nas paredes internas

Repercutindo em cada fibra,

Mas inaudível aos ouvidos.

E agora, exalas um olhar perdido…

Carregado de súplica,

solidão e dor,

marejados em uma lágrima.

Teu corpo quer falar,

Teu gesto quer ilustrar,

O que não podes mais dizer…

E essa dor cala fundo no coração,

Retratando em cores fortes

O que não consegues

Expressar pela mão.

Tua voz

Tantas vezes relegada,

Tu a traz apenas na lembrança,

Nas palavras de refazimento

Que jamais serão ouvidas…

Jaz, dentro de ti,

Todas as palavras que necessitam de perdão

De amparo,

De amor…

Tua voz permanece,

Presa por correntes invisíveis,

Mergulhada dentro de ti

Apalpando tuas paredes internas

Sem poder sair…

As lágrimas que escorrem de teus olhos

Molham tua face

Num gesto de emoção.

Chegam até mim,

Sufocando meu coração.

Quantas vezes te ouvi falar e sorrir  

Repreender, aconselhar.

Teu olhar agora fala por ti

Não sei se o compreendo.

Meu coração, apertado e pequenino

Dolorido pela saudade

De ouvir tua voz.

Mas… ouça,  

Sempre estarás comigo

Em lembranças cálidas

Por todo meu viver.

Fonte: Terezinha de Nadai

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