A voz quando ecoa das entranhas do ser
Expressa uma multidão de palavras.
Palavras estas de perdão ou de revolta,
De paz ou de desmando.
Por vezes emudece sentimentos,
Revivendo encenações
Referentes ao palco da vida,
Assertivas ou não.
Quando ecoa afônica
Rebate nas paredes internas
Repercutindo em cada fibra,
Mas inaudível aos ouvidos.
E agora, exalas um olhar perdido…
Carregado de súplica,
solidão e dor,
marejados em uma lágrima.
Teu corpo quer falar,
Teu gesto quer ilustrar,
O que não podes mais dizer…
E essa dor cala fundo no coração,
Retratando em cores fortes
O que não consegues
Expressar pela mão.
Tua voz
Tantas vezes relegada,
Tu a traz apenas na lembrança,
Nas palavras de refazimento
Que jamais serão ouvidas…
Jaz, dentro de ti,
Todas as palavras que necessitam de perdão
De amparo,
De amor…
Tua voz permanece,
Presa por correntes invisíveis,
Mergulhada dentro de ti
Apalpando tuas paredes internas
Sem poder sair…
As lágrimas que escorrem de teus olhos
Molham tua face
Num gesto de emoção.
Chegam até mim,
Sufocando meu coração.
Quantas vezes te ouvi falar e sorrir
Repreender, aconselhar.
Teu olhar agora fala por ti
Não sei se o compreendo.
Meu coração, apertado e pequenino
Dolorido pela saudade
De ouvir tua voz.
Mas… ouça,
Sempre estarás comigo
Em lembranças cálidas
Por todo meu viver.




