Há várias formas de despedidas. Umas produzem tristeza. Outras, porém, alegria, e outras ainda uma sensação de conforto ou desconforto,
A despedida dolorida traz nas mãos um espinho pontudo a espetar nossos olhos e arrancar lágrimas. Também mucos do nariz. Eles vêm sempre acompanhados de “adeus para nunca mais…” e dói como tropicão do dedo mindinho em toco de estrada.
Nessa espécie de despedida se insere a do desligamento do emprego. Se é um bom empregado que o pediu, o patrão se sentirá pesaroso. O contrário, todavia, levará o patrão a rir e o empregado, não. Em ambos haverá tristeza e alegria.
A despedida dolorida, mas nem tanto, se dá quando a sogra se despede depois de seis meses de visita. Esse fato arranca do baú de nossa alma o espírito fabuloso da atuação (superior aos melhores atores) e aí fazemos o papel de comoção nas cenas.
Recomenda-se, nesse caso, não exagerar. Vai que ela, comovida com a comoção resolva ficar?
A despedida alegre é a mais corriqueira e se dá de várias maneiras. Varia apenas na operacionalização.
Há a despedida do companheiro de truco: é rápida e seguida de palavrão, batida de nós dos dedos e até aleluia de cartas. Age assim o perdedor, que culpa um e outro de roubo, conluio e de coisas mais que cabem nos seus palavrórios e se depositam nos ouvidos daqueles.
A despedida do companheiro de aperitivo é tão lenta, e estica tanto, que uma trena não será suficiente para lhe determinar o tamanho. Nem o Big-Ben o tempo.
Assim, alguém lembra de um último assunto, aparece a história não contada, vem outra risada e, quando se percebe, todos continuam no lugar. Despedem-se uma, duas, três vezes. E ficam.
A despedida do amigo acompanhado da mulher é sóbria.
Por mais que a mulher fale, ria, cante, estará como gato que olha o dono e o peixe.
Ela olhará sem piscar no copo dele e nas vezes que o leva à boca… para cobrar depois, depois e depois…
Mas, nessas questões de amizade, há também as despedidas urgentes que retiram o indivíduo às pressas e o põem a correr. Essas se dão pelo intestino a querer botar fora o que tem dentro. Ocasiões em que nem um simples tchau, às vezes, se escuta.
Para dizer que, no fundo, despedida boa é aquela que termina com um “até a próxima”.
Porque “adeus” tem jeito de ponto-final. O “até logo”, não. É só uma vírgula, uma porta encostada. E entre amigos sempre sobra assunto depois da vírgula; e liberdade para um pequeno empurrão na porta. Concorda?



