O Éffeta chega à 20ª edição em 2026 carregando uma história que vai muito além de dois dias de programação religiosa. O evento, realizado pela Comunidade Católica Emanuel, nasceu a partir de uma experiência de contato com jovens em situação de vulnerabilidade e acabou se tornando uma das principais portas de entrada para conhecer o trabalho desenvolvido pela comunidade, incluindo a recuperação de dependentes de álcool e outras drogas.
A programação da 20ª edição será realizada nos dias 19 e 20 de setembro, no Parque de Exposições Arthur da Costa e Silva. A programação inclui missas, momentos de oração, pregações, louvor e shows, mas a trajetória do evento revela uma dimensão social construída ao longo de duas décadas.
Para o padre Adão, que acompanha a história da Comunidade Emanuel, o crescimento do Éffeta é resultado de uma construção coletiva. “O Éffeta começou pequeno e hoje nós estamos na 20ª edição. A Comunidade Emanuel fez 21 anos em março e, desde o começo, foi crescendo com o apoio das pessoas”, afirma.
Segundo ele, cada edição já termina dando início à preparação da seguinte. “Quando termina um Éffeta, a gente já começa a pensar no próximo. É uma responsabilidade muito grande, porque a estrutura vai aumentando, mas é também uma alegria muito grande ver que as pessoas abraçaram a causa”, relata.

Evento nasceu dos acampamentos
Antes de existir a Comunidade Emanuel nos moldes atuais, a experiência começou com acampamentos. Padre Adão conta que, em um dos primeiros encontros, realizado há cerca de 20 anos, a equipe se deparou com uma realidade que ajudaria a definir os rumos da comunidade.
A experiência levou à criação de uma estrutura voltada à recuperação. “A partir daí, nós fomos buscar um espaço, conseguimos adquirir um lugar e começamos a construir uma casa de recuperação para jovens e adultos que queriam se recuperar das drogas e do álcool”, explica.
Foi desse processo que surgiu a comunidade estruturada posteriormente. “Primeiro veio a experiência da comunidade terapêutica e, depois, a Comunidade Emanuel foi se organizando, com CNPJ, estatuto e toda a estrutura que existe hoje”, acrescenta.
O Éffeta surgiu justamente como uma maneira de levar essa experiência para além dos espaços da comunidade. A ideia era criar um evento aberto, no qual as pessoas pudessem conhecer não apenas a proposta religiosa, mas também o trabalho social realizado durante todo o ano.
“Queríamos que as pessoas pudessem entrar na comunidade. Muitas vezes existe um preconceito, um medo quando se fala em casa de recuperação. No Éffeta, a pessoa pode conhecer quem passou pela recuperação, conversar com essas pessoas e perceber que existe uma história por trás de cada uma delas”, afirma o padre.

Fé também como recomeço
Ao longo dos anos, o evento também passou a ser associado a histórias de pessoas que retomaram a vida religiosa depois de participar das atividades. Padre Adão afirma que é comum encontrar pessoas que chegam afastadas da Igreja e, depois do encontro, retomam a participação em suas comunidades.
Segundo ele, esse retorno não necessariamente acontece dentro da própria Comunidade Emanuel. “Muitas pessoas voltam para a sua paróquia, para a sua capela, para a comunidade delas. O importante é que elas voltem para Deus”, destaca.
Cerca de 900 voluntários
A realização do Éffeta também depende de uma estrutura que envolve aproximadamente 900 voluntários. São pessoas responsáveis por atividades que vão desde palco, som e iluminação até alimentação, limpeza, estacionamento, segurança, comunicação e organização dos espaços.
“Cada função é importante. Às vezes a pessoa pensa que o mais importante é quem está no palco, mas alguém precisa cuidar do banheiro, da limpeza, da alimentação, do estacionamento. Tudo isso faz parte”, destaca padre Adão.
O trabalho reúne integrantes da própria Comunidade Emanuel e pessoas de diferentes grupos e paróquias. Entre os voluntários estão integrantes do Encontro de Casais com Cristo (ECC), Movimento Familiar Cristão (MFC), ministros, membros de paróquias, padres e outras pessoas que se unem à organização durante o evento.
Essa participação, segundo o padre, é uma das marcas construídas ao longo das edições. “É uma quantidade enorme de pessoas trabalhando. Tem gente que vem de fora, tem gente da comunidade, tem grupos que ajudam. É uma grande família trabalhando para que o Éffeta aconteça”, afirma.
Evento ultrapassou os muros da comunidade
A dimensão alcançada pelo Éffeta também ajudou a aproximar o público de outros projetos mantidos pela Comunidade Emanuel. Além da casa de recuperação, a instituição desenvolve iniciativas como o Projeto Bom Menino e a Escola Católica Mater Dei.
“Se nós ficássemos somente dentro da comunidade, muita gente nunca saberia o que nós fazemos. O Éffeta abriu essa possibilidade. A pessoa vem para o evento, conhece a comunidade, conhece a casa de recuperação, conhece os projetos”, explica.
Segundo ele, algumas pessoas que conheceram o trabalho por meio do evento posteriormente procuraram informações sobre tratamento, acampamentos ou outras atividades. A proposta é que o encontro funcione, portanto, como uma experiência que pode continuar depois que o público deixa o Parque de Exposições.
20 anos de uma história que continua
A 20ª edição do Éffeta representa, para a Comunidade Emanuel, a continuidade de uma trajetória que começou pequena, a partir dos acampamentos e do contato com jovens vulneráveis, e se transformou em um trabalho que envolve evangelização, recuperação, formação e ação social.
Com o tema “Abra-te para um Novo Tempo”, a edição comemorativa pretende reunir cerca de 20 mil pessoas. Mas, para padre Adão, a dimensão do evento continua sendo consequência de algo que começou muito antes da estrutura atual.
“O Éffeta cresceu, a estrutura cresceu, o número de pessoas cresceu, mas aquilo que está no centro continua sendo o mesmo: levar Jesus Cristo e o Evangelho para as pessoas e, por meio disso, ajudar a transformar vidas”, resume.



