Em 2026, 97% das empresas alteraram seus planos de comissão de vendas, contra 86% no ano anterior, segundo a Alexander Group (Sales Compensation Trends Survey 2026). Com o planejamento de 2027 em curso, o dado expõe um gargalo: regras que mudam a cada ciclo e comissões ainda calculadas em planilha, avalia Gabriel Segers, cofundador e CEO da SplitC, plataforma especializada em automação de remuneração variável e comissões.
O planejamento leva as empresas a revisar metas, orçamento, estrutura comercial e modelos de incentivo, e isso aumenta a pressão sobre processos de comissão que ainda dependem de planilhas, validações manuais e regras difíceis de adaptar, especialmente em operações maiores e mais complexas.
Para Segers, o planejamento anual também deve incluir uma revisão da forma como esses pagamentos são calculados e administrados. “O planejamento é o momento em que a empresa redefine metas, territórios e prioridades. Essas decisões só chegam ao vendedor quando a regra de comissão acompanha a mudança. Se o cálculo depende de planilha, a operação passa a limitar a velocidade da estratégia”, afirma.
A primeira pergunta é se as regras atuais de comissão ainda refletem a estratégia comercial. Mudanças em produtos, territórios, canais, metas ou prioridades precisam ser acompanhadas por ajustes nos incentivos. A segunda é o tempo necessário para alterar uma regra: quando cada mudança exige reconstruir fórmulas, planilhas ou fluxos manuais, a operação pode não acompanhar o ritmo da estratégia.
A terceira é quanto do processo depende de trabalho manual. A consolidação de dados, as conferências e o tratamento de exceções podem consumir tempo das equipes de Recursos Humanos, Financeiro e Comercial que poderia ser direcionado a atividades mais estratégicas.
A quarta é a transparência dos cálculos. Os colaboradores precisam compreender como suas comissões são calculadas, quais critérios determinam os pagamentos e como eventuais divergências são resolvidas. Regras claras e informações acessíveis ajudam a reduzir dúvidas e a fortalecer a confiança entre as equipes e a empresa. A apuração dos incentivos mais próxima do momento em que os resultados são alcançados também pode contribuir para manter a conexão entre desempenho e recompensa.
A quinta é a governança. Em empresas maiores, ela ganha importância à medida que aumentam a complexidade das regras e o volume de pagamentos. Rastreabilidade, histórico de alterações, documentação dos critérios e registro de aprovações ajudam a explicar os valores pagos, identificar inconsistências e dar mais segurança ao processo.
“Quanto maior a empresa, mais cada pagamento precisa poder ser explicado ao colaborador e justificado quando necessário. Quem chega a 2027 com um processo que o time entende e que a empresa consegue auditar tem mais condições de sustentar as mudanças de estratégia ao longo do ano sem perder a confiança de quem vende”, conclui Segers.















