O latido insistente de um cachorro ou o grasnado de um ganso pode ser o primeiro sinal de uma aproximação suspeita a uma propriedade rural. Antes mesmo de câmeras registrarem movimento ou alarmes serem acionados, esses animais costumam perceber alterações na rotina e alertar os produtores em relação à presença de pessoas desconhecidas ou até predadores.
Embora sejam utilizados por proprietários como uma primeira linha de alerta, cães, gansos, galinhas-d’angola e outras espécies não substituem as demais medidas de segurança. Esses animais devem complementar uma série de protocolos, como cercamento, iluminação, monitoramento por câmeras, controle de acesso, comunicação entre vizinhos e integração dos agricultores com as forças de segurança.
Essa atuação integrada é incentivada pelo Sistema Faep, que mantém parceria com a Secretaria de Estado da Segurança Pública do Paraná (Sesp), Polícia Militar, Patrulha Rural Comunitária, Polícia Rodoviária Estadual e Corpo de Bombeiros para fortalecer a prevenção no meio rural.
“Segurança no campo não depende de uma única medida. Ela é construída com planejamento, troca de informações e ações preventivas. Por isso, disseminar práticas e estratégias ajuda a reduzir a vulnerabilidade nas propriedades. Nesse conjunto, os animais também podem cumprir uma função importante de alerta, desde que recebam os cuidados adequados e sejam utilizados de forma responsável”, afirma o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette.
Bom cão se faz com manejo
Mais do que escolher uma raça conhecida, a eficiência de um cão de guarda depende dos cuidados recebidos desde os primeiros meses de vida. Segundo o 3º sargento Leandro André Soares, da Patrulha Rural Comunitária, que atua na região de Capanema, no Sudoeste do Paraná, um cão equilibrado protege melhor do que um animal estimulado a agir com agressividade.
“O bom cão de guarda depende de cinco pilares: saúde, alimentação, bem-estar, treinamento e controle. Socialização, vacinação, vermifugação, controle de pulgas e carrapatos e acompanhamento veterinário precisam fazer parte da rotina”, destaca.
Os animais também precisam ter água limpa sempre disponível, alimentação de qualidade, abrigo contra chuva, frio e calor, espaço para correr, contato diário com os tutores e exercícios físicos.
Segundo o policial, manter o animal permanentemente acorrentado, sem espaço ou interação, além de caracterizar manejo inadequado, pode provocar estresse, ansiedade e alterações comportamentais. A falta de socialização também aumenta o risco de ataques a visitantes, trabalhadores e pessoas que prestam serviços na propriedade.
“O melhor cão de guarda é equilibrado, obediente e sabe diferenciar uma situação normal de uma ameaça”, orienta Soares.
A avaliação é compartilhada pelo criador e especialista em comportamento canino Eduardo Luiz de Oliveira, que desmistifica a informação de que cães de guarda precisam ser grandes ou agressivos para proteger uma propriedade.
“O verdadeiro cão de guarda avalia o ambiente, identifica situações suspeitas e responde de forma proporcional. Um animal extremamente agressivo tende a ser imprevisível e a oferecer risco à própria família, funcionários e visitantes”, afirma Oliveira.
O treinamento também deve incluir comandos básicos, obediência, socialização e reconhecimento da rotina da propriedade. Nos casos de cães utilizados para proteger ovinos, caprinos ou aves, a aproximação com o rebanho deve começar ainda quando o animal é filhote, para que desenvolva vínculo.



