A Porta é um objeto muito importante do nosso dia-a-dia. Ela é via de acesso que nos permite entrar e sair dos mais diversos lugares. Casa\família; faculdade\edudação; Igreja\Templo, teatro\cultura; laboratório\ciência; etc. Sem ela nossas vidas seriam muito difíceis e limitadas. Imagine se as portas estiverem fechadas? A palavra também pode ser usada no sentido metafórico por exemplo, quando dizemos que “uma porta se abriu para mim”. Neste contexto como significado “oportunidade”. Mas têm também “portas” que se abrem para uns e fecham para outros causando injustiças sociais, discriminação.
A porta é simbolismo de grande alcance. É entrada e a saída. Entra-se em casa para se ter segurança, sai-se dela para a liberdade. A porta sintetiza toda a atividade das pessoas, suas dimensões todas. Declarando-se a porta, Jesus torna-se o ponto de referência para tudo o que o ser humano sonha e realiza. Entrar por ela é salvar-se (v.9), pois é aderir a ele, fugindo da morte. Sair dessa porta é caminhar para a liberdade ao encontro da vida (pastagens), ou seja, não ter mais fome ou sede (6,21).
Eu Sou a Porta é uma declaração metafórica de Jesus Cristo registrada por Jo 10,9 indicando que Ele é o único caminho para a salvação e o acesso a Deus. Quem entra por essa porta será salvo, experimentará liberdade (entrará e sairá) e encontrará vida abundante. Ele não é uma porta no meio de outras portas, mas a única Porta. Jesus se apresenta como á única via de acesso à salvação, não havendo outro mediador.
Diante de nós se apresentam duas portas, uma larga e outra estreita. Isto são as escolhas que temos que fazer na vida. Uma representa um caminho fácil e popular, mas leva à destruição, enquanto a outra, estreita exige sacrifício e renúncia, mas conduz à vida eterna. A Porta de Jesus é estreita.
A Porta representa a segurança para as ovelhas (crentes), protegendo-as de ladrões e destruidores. Ao contrário de falsos líderes, Jesus veio para garantir vida plena e pastagem (alimentação espiritual)
A comparação situa Jesus como o Bom Pastor e a própria porta do redil, destacando-se a necessidade de reconhecer e entrar por Ele para alcançar a vida eterna. Ez 34 mostra os maus pastores e a esperança que um dia virá um Bom Pastor.
O “Porteiro”, a figura do porteiro: designa alguém ou é simplesmente recheio descritivo? O AT nos fala de porteiros do palácio e do templo, responsáveis pela segurança. A parábola dá a entender que o porteiro não deixa os ladrões entrar, mas abre sem mais ao pastor. Pode conter uma explicação da futura função dos apóstolos em relação ao Pastor que é Jesus. E pode conter uma crítica aos porteiros que não se comportaram bem (cf. Is 56,10).
É que fala só de “levar para fora” as ovelhas e de guia-las indo à frente; não fala de reconduzi-las ao redil. Provavelmente se sugere aí a primeira libertação em duas fases de “saída” do Egito e “caminhada pelo deserto, guiados por Deus (Sl 80,2). Primeira libertação que prefigura a presente, na qual Jesus vai levar para fora e guiar, e não vai reconduzir ao velho redil.
A relação pessoal do pastor com cada ovelha: conhece-as pelo nome, elas reconhecem sua voz. Adão dava nomes aos animais, nome de espécie; o pastor de João dá nomes individuais, pessoais: “Chamei-te por teu nome, tu és meu” (Is 43,1; 43,25). Naturalmente “ouvir sua voz” soa nas duas vertentes, de imagem e realidade (18,37).
Também nos diz que houve falsos pastores, antes e agora; e o último versículo sugere que os presentes não se sentem comprometidos porque lhes convém não entender. Esses ladrões e bandidos podem ser falsos messias, ou mestres abusivos. As ovelhas que reconhecem a voz são os fiéis que pela fé sintonizam a voz. Ao chegar ao ponto do pastor modelo, a imagem torna-se estreita e a realidade penetra e a suplanta. Lendo a história de Davi, compreendemos que o pastor do rebanho paterno arrisca a vida para lutar com feras defendendo as ovelhas (1Sm 17,35-36) e não faltaram reis que arriscaram e perderam a vida lutando. Jesus é categórico e insiste: DA À VIDA POR (vv.10.11.15.17-18). O v.18 poderia ser o enunciado de uma importante tese de soteriologia. Jesus dá a vida voluntariamente, sacrifica-se; sua morte será salvação para todos. Sua relação com as ovelhas é pessoal: tão pessoal como a sua com o Pai.
A prática de Jesus mostra que ele jamais se serviu do povo, explorando-o, pelo contrário, ele se tornou o próprio alimento e força do seu povo, na conquista de sua liberdade. Não só não se serviu dele, mas doou-se completamente, entregando sua vida.




