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BEBER DA FONTE

Catequista: do chamado à vocação, da vocação ao ministério

Catequista: do chamado à vocação, da vocação ao ministério

Sou catequista do Santuário Santo Antônio de Pádua, de Alto Paraná, há mais de quarenta anos. Como sabemos, toda vocação começa com um chamado. Alguém se torna porta-voz de Deus, no meu caso, esse chamado veio por meio da minha mãe. Certo domingo, depois de participarmos de uma missa em família, ela me fez um convite: disse que eu poderia ajudar na catequese. Foi um susto! Eu tinha apenas quatorze anos e, sinceramente, não sabia muita coisa. Pensei: “Se minha mãe está dizendo que eu posso, então deve ser verdade”. O convite também foi feito às minhas irmãs, Roseli e Cleonice, que continuam sendo catequistas até hoje em nossa paróquia.

O início da minha vocação coincidiu, felizmente, com a implantação da Catequese Renovada na paróquia. Se é que podemos chamar de coincidência! Foram anos de muito estudo do Documento nº 26 da CNBB e  enriquecidos por estudos bíblicos.  Um dos grandes desafios da implantação da Catequese Renovada era catequizar também as famílias dos catequizandos. Desse desafio nasceram, em nossa paróquia, as Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), sob a orientação de Frei Gentil Lima, O. Carm. Catequese e CEBs caminham juntas até hoje, e essa experiência continua sendo uma das bases da minha vocação.

Mas não foi somente o estudo que alimentou minha caminhada. Também fiz a experiência da mistagogia com as catequistas  mais experientes . Ao longo dessa trajetória, Deus foi colocando algumas “Terezinhas” no meu caminho: Terezinha Rozin, minha madrinha e catequista; Terezinha Molin e Terezinha Petris. Foram e continuam sendo, para mim, verdadeiras catequistas mistagógicas, mulheres que me ensinam com a vida, a beleza e a responsabilidade dessa missão.

Atualmente, atuo como coordenadora de catequese na Comunidade Santa Teresinha do Menino Jesus. E, com muita humildade, lembro-me das palavras de Santa Teresinha: “Apesar de minha pequenez, quisera esclarecer as almas, como os Profetas, os Doutores; tenho vocação de ser Apóstolo…” É assim que me reconheço: não sei muita coisa, não sou muito,  mas tenho vocação de ser catequista.

Ser catequista é uma dádiva e, ao mesmo tempo, um desafio constante. Como ensinar aquilo que a razão nem sempre consegue explicar? Como falar de um Deus que não vemos, mas cuja presença experimentamos?

Catequizar vai muito além de transmitir conhecimentos. Nossa missão é despertar no outro o ardor do discípulo missionário que  existe em nós. É testemunhar o quanto é bom cultivar uma relação com Deus, uma relação que nos transforma, nos sustenta  e nos faz felizes.

Nesse sentido, o Diretório para a Catequese apresenta o catequista como “testemunha da fé, mestre e mistagogo, acompanhante e educador que coopera com o Espírito Santo para introduzir os fiéis na vida cristã e conduzi-los a um encontro pessoal com Jesus Cristo”.

Ser mistagogo é justamente isso: conduzir o catequizando a mergulhar no mistério da fé e possibilitar que faça a experiência pessoal do encontro com Jesus. Foi assim com Zaqueu, com a Samaritana, com Mateus e com tantos outros que, depois de encontrarem Cristo, tiveram suas vidas transformadas.

Somos resultado de nossas vivências, e cada pessoa é única. Por isso, aquele que está diante de nós é sempre diferente de nós. A geração da maioria dos catequistas também é diferente da geração dos nossos catequizandos. Vivemos em uma época marcada pela informatização e pela cultura digital, que transformam profundamente a maneira como as novas gerações percebem o mundo e a realidade.

Foi pensando nesse contexto da evangelização no mundo contemporâneo que o saudoso Papa Francisco instituiu o Ministério de Catequista, em 2021, por meio da Carta Apostólica Antiquum Ministerium. Diante da “imposição de uma cultura globalizada”, o documento reconhece a presença de leigos e leigas que, em virtude do Batismo, se sentem chamados a colaborar no serviço da catequese. Nossa gratidão eterna pelo reconhecimento e pela valorização da missão dos catequistas! 

A Diocese de Paranavaí, por meio do bispo Dom Mário Spaki, instituiu o Ministério do Catequista  em julho do presente ano. Após  uma preparação de dez meses através da Escola Diocesana de Catequese, tive o privilégio de receber o Ministério de Catequista. 

Podemos perguntar: como e quando começa uma vocação? Mas talvez exista uma pergunta ainda mais profunda: quando termina uma vocação? Ao sermos instituídos ministros da catequese, colocamo-nos à disposição para servir enquanto Deus nos conceder condições e forças para exercer essa missão. 

No jardim da vida, nós, catequistas, somos semeadores. Lançamos as sementes e acreditamos que a colheita não nos pertence, como tantas vezes cantamos: “Põe a semente na terra, não será em vão; não te preocupes com a colheita, plantas para o irmão.” Depois de mais de quarenta anos, continuo acreditando que vale a pena semear.

Fonte: Nilza Marcia Mulatti Silva - Ministra da Catequese da Paróquia Santuário Santo Antônio de Pádua de Alto Paraná

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