Todas as Unidades Federativas da região Sul registraram crescimento na busca dos consumidores por crédito no acumulado dos últimos 12 meses até abril, segundo dados do Indicador de Demanda dos Consumidores por Crédito da Serasa Experian, primeira e maior datatech do Brasil. Entre os estados da região, o Rio Grande do Sul liderou a expansão da demanda por crédito, com alta de 19,2%, seguido por Paraná (16,3%) e Santa Catarina (11%). O desempenho gaúcho colocou o estado entre os destaques nacionais no período, enquanto Santa Catarina registrou uma das menores variações do país.
Visão Nacional
No cenário nacional, a busca dos brasileiros por recursos financeiros registrou crescimento de 15,2% no acumulado dos últimos 12 meses até abril. Na análise por faixa de renda, os consumidores que recebem de 1 a 2 salários-mínimos apresentaram a maior alta no período, com variação de 28,0%. Na sequência, aparecem aqueles com renda de até 1 salário mínimo (18,8%), de 5 a 10 salários mínimos (17,8%) e acima de 10 salários-mínimos (17,0%).
Para a economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, o comportamento da demanda segue refletindo um ambiente de crédito pressionado. “As famílias ainda enfrentam pressão sobre o orçamento e maior comprometimento da renda. O comportamento mais forte entre consumidores de menor renda indica uma busca por crédito associada não apenas ao consumo, mas também à necessidade de administrar despesas correntes e reorganizar o fluxo financeiro. Ao mesmo tempo, observa-se uma perda de fôlego mais intensa nas faixas intermediárias de renda, que geralmente demandam modalidades de crédito de prazo mais longo — justamente aquelas que, neste momento, estão mais restritas e sujeitas a critérios mais rigorosos por parte das instituições financeiras.” Na análise por Unidades Federativas (UFs), a procura por crédito apresentou crescimento em todo o país ao longo dos últimos 12 meses, ainda que em ritmos distintos entre os estados. Os maiores avanços foram registrados em Roraima (22,7%), Tocantins (22,2%) e Alagoas (20,9%). Na sequência, aparecem Acre (20,1%) e Paraíba (19,6%). Na outra ponta, os menores crescimentos foram observados no Distrito Federal (10%), Santa Catarina (11%) e Ceará (11,5%).
Variação anual também registra avanço
Na comparação anual, a demanda por crédito cresceu 8,4% em abril de 2026 em relação ao mesmo mês do ano anterior. Entre as faixas de renda, os consumidores com renda de 1 a 2 salários mínimos registraram o maior crescimento no período, com alta de 40,3%, seguidos pelos consumidores com renda de até 1 salário mínimo (5,1%). Já a faixa acima de 10 salários mínimos apresentou retração de 12,8%.
A economista-chefe da datatech explica que o avanço anual da demanda reforça que o crédito segue desempenhando um papel importante na reorganização financeira das famílias. “Mesmo em um ambiente de juros elevados e desaceleração econômica, a demanda por crédito segue resiliente, especialmente entre consumidores de menor renda. Esse comportamento reflete um contexto de orçamento mais pressionado, em que muitas famílias recorrem ao crédito para recompor liquidez, administrar despesas correntes e compensar a perda de poder de compra em um cenário de maior comprometimento da renda”, afirma.



