Há 20 anos, o Éffeta reúne em Paranavaí milhares de pessoas em torno da fé, da música, da oração e da evangelização. Para Dom Mário Spaki, bispo da Diocese de Paranavaí, a permanência do evento ao longo dessas duas décadas está ligada justamente à capacidade de falar com a juventude de cada época, sem perder aquilo que considera essencial, que é a mensagem do Evangelho.
A 20ª edição do Éffeta será realizada nos dias 19 e 20 de setembro, em Paranavaí. A programação reúne missas, momentos de oração, pregações, louvor, confissões e apresentações musicais, entre elas o show da banda Rosa de Saron. Para Dom Mário, porém, o significado do encontro vai muito além da programação.

Um evento que nasceu com a juventude
O bispo lembra que o Éffeta teve origem na Comunidade Católica Emanuel, cujo trabalho tem forte ligação com a juventude e com novas formas de evangelização, especialmente por meio dos acampamentos.
“A Comunidade Católica Emanuel tem um carisma bastante voltado para a juventude e, portanto, traz elementos novos e atuais que os jovens gostam muito”, explica Dom Mário. Segundo ele, esse trabalho acabou se espalhando pela Diocese de Paranavaí e fez com que o crescimento do Éffeta se tornasse um ganho para toda a Igreja local.
Para o bispo, a própria característica do evento ajuda a explicar sua permanência. A juventude, independentemente da época, busca novos horizontes e questiona aquilo que encontra na sociedade.
“Quando se apresenta um ideal diante deles, o Santo Evangelho, os jovens aderem”, afirma. Ele destaca ainda que a Igreja, em seus dois mil anos de história, também passou por diferentes transformações e continua buscando respostas para os desafios de cada período.
É nesse movimento que Dom Mário enxerga o Éffeta: um encontro que mantém sua essência, mas encontra maneiras atuais de chegar aos jovens.
Um espaço aberto para quem chega
Embora tenha uma forte presença jovem, o Éffeta não é pensado apenas para quem já participa ativamente da Igreja. Para Dom Mário, uma das características importantes do encontro é justamente a capacidade de acolher pessoas diferentes.
“A Igreja tem uma mensagem que diz respeito a todo ser humano”, afirma. Por isso, segundo ele, o evento recebe católicos, pessoas de outras denominações cristãs e também jovens que talvez não participem de nenhuma comunidade religiosa.
“Todos se sentem acolhidos, se sentem parte”, diz o bispo, que garante que quem chegar ao Éffeta será recebido “com muito carinho”.
A ideia de acolhimento também está relacionada ao papel que Dom Mário atribui à Igreja: estar no meio da sociedade e dialogar com diferentes grupos, sem a pretensão de alcançar a totalidade das pessoas, mas mantendo aberta a possibilidade de encontro.
A Igreja também aprende com os jovens – Se o Éffeta procura falar a linguagem da juventude, Dom Mário ressalta que esse diálogo não pode acontecer em uma única direção. Para ele, a Igreja também precisa escutar e aprender com as novas gerações. “A Igreja está em constante aprendizado, aprende de todos”, afirma.
Na visão do bispo, os jovens trazem características importantes para a vida da Igreja, como dinamismo, criatividade e alegria. São elementos que ajudam a romper acomodações e formas muito rígidas de fazer as coisas.
Dom Mário conta que atualmente participa de encontros para ouvir o que os fiéis desejam para os próximos anos da caminhada da Igreja. Nesses momentos, também encontra jovens envolvidos na Pastoral da Comunicação, nos acampamentos, nos grupos de jovens e em atividades com coroinhas e acólitos.
“Eles se manifestam, mostram a alegria que têm de participar, falam aquilo que desejam e, evidentemente, nós temos acolhido”, relata. Para ele, dar espaço para que os jovens tenham voz é parte importante desse processo.
“É muito bom ser bispo numa Igreja jovem”
A relação com a juventude também tem um significado pessoal para Dom Mário. Ele conta que sente uma alegria diferente quando está entre os jovens, justamente pela intensidade com que eles vivem aquilo em que acreditam. “O jovem tem entusiasmo, ele tem grandes causas diante de si”, afirma.
O bispo destaca ainda a espontaneidade dos jovens, inclusive nos momentos de música e oração. “Quando você pede para cantar, eles cantam com os pulmões cheios, com aquela alegria que vem de dentro”, diz.
É essa experiência que, segundo ele, ajuda a explicar o sentimento de acompanhar uma Igreja com forte participação das novas gerações. “É muito bom e preenche o coração. No meu caso de bispo, de muita alegria. A gente sente como é bonito ser bispo
numa Igreja jovem”, resume.
Um convite para quem nunca foi
Para quem mora em Paranavaí e nunca participou do Éffeta, Dom Mário deixa um convite direto. Segundo ele, além da experiência religiosa, estar no evento significa encontrar milhares de pessoas que compartilham sonhos, aspirações e diferentes histórias.
“Se alguém nunca foi ao Éffeta, saiba que está perdendo um encontro de altíssima qualidade”, afirma.
O bispo convida especialmente os jovens, inclusive aqueles que tiveram contato com o evento ou com a mensagem por acaso, a conhecer o encontro e participar da experiência. “Você vai ser muito bem-vindo ali”, garante. Para ele, a expectativa é que quem participar volte para casa levando uma sensação de alegria no coração.
Um novo tempo sem perder o essencial
O tema da 20ª edição — “Abra-te para um Novo Tempo” — também ganha um significado especial quando Dom Mário olha para o futuro. Ele reconhece que é impossível saber como estará a sociedade daqui a 20 anos. Guerras, mudanças climáticas, eventos extremos e a rápida expansão da inteligência artificial são alguns dos fenômenos que já transformam o mundo.
Mas, diante de tantas mudanças, o bispo acredita que existe algo que permanece. “Nunca mudará aquilo que é essencial”, afirma. Para ele, esse essencial está no Evangelho e na mensagem de Jesus Cristo.
Por isso, ao imaginar o futuro do Éffeta, Dom Mário espera que o evento continue crescendo, alcançando mais jovens e adolescentes e mantendo a capacidade de contagiar as pessoas com a alegria que, segundo ele, caracteriza o encontro.
Ao completar duas décadas, o evento também é, para Dom Mário, resultado do trabalho de uma grande rede de pessoas. Ele faz questão de destacar os organizadores e os centenas de voluntários que se dedicam para que cada edição aconteça.
E deixa uma expectativa para os próximos anos: que o Éffeta continue sendo um espaço capaz de aproximar pessoas da fé e de produzir uma alegria que ultrapasse os dois dias de programação.



