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Cássio Mori é educador, escritor e palestrante. Engenheiro mecânico pela Universidade de São Paulo, atua há mais de 30 anos na educação e foi professor de Física por 27 anos.

EM NOVO LIVRO

Educador explica como a recepção na volta da escola impacta os filhos

“Foi normal”. Para a maioria das famílias, a resposta curta ao fim do dia é praticamente todo o acesso à rotina dos filhos fora de casa. O restante costuma vir em pequenos fragmentos: a mochila jogada, o silêncio repentino, queda nas notas ou uma reclamação pontual. Com esse material escasso, adultos tentam reconstruir horas inteiras para avaliar se há motivo de alerta. No livro O filho que chega em casa, o educador e escritor Cássio Mori propõe uma postura cuidadosa que transforme os pequenos fragmentos do cotidiano em pontes reais de diálogo e acolhimento. 

Segundo o autor, a reação do adulto não apenas impacta o momento presente, mas condiciona o diálogo futuro. Diante de respostas tomadas pelo pânico, invalidação de dores ou interrogatórios ostensivos, crianças e adolescentes aprendem rapidamente o que é seguro, ou não, compartilhar. A frase que organiza o livro resume essa diferença: “Eu leio meu filho pela metade. Ele me lê por inteiro.” 

Para ajudar a gerenciar esse intervalo entre a observação e a tomada de decisão, Mori desenvolveu a dinâmica do Campo, que representa o sinal emitido pela criança, e do Contracampo, resposta oferecida pelo ambiente adulto – desde a expressão facial e o tom de voz até as perguntas formuladas e as medidas adotadas. Embora nem todo o comportamento esconda uma dor, algumas mudanças devem ser recebidas com atenção antes de se transformarem em diagnósticos ou vereditos. 

A metodologia orienta a leitura dos pais através de seis verbos. Proteger é a regra prioritária diante de qualquer risco. Em seguida, os adultos devem separar fatos de emoções, datar o contexto do próprio julgamento para evitar impulsos e dimensionar a gravidade do episódio. Por fim, cabe responder sem fechar os canais de diálogo e sondar o que deixou de ser dito. 

As coisas grandes, medo, rejeição, vergonha, confusão sobre si mesmo, raramente chegam prontas em forma de relato. O filho que viveu algo difícil demais não costuma entrar em casa anunciando: “Vivi algo difícil.” Chega quieto. Ou irritado. Ou grudento. Ou agressivo. Ou mole. Ou barulhento demais. Quanto mais funda a coisa, menos ela vira frase. Muitas vezes, vira comportamento. (O filho que chega em casa, p. 21) 

O educador pondera que “ler melhor” não significa amplificar a vigilância. De acordo com sua análise, atitudes de controle ostensivo levam o jovem ao isolamento, dificultando ainda mais o acompanhamento. O objetivo central é manter os limites e consequências necessárias, preservando o espaço de confiança para que os filhos continuem recorrendo aos adultos. 

A abordagem é respaldada pela trajetória de mais de três décadas de Cássio Mori no ecossistema educacional, como professor e gestor. Pai de gêmeos e autor de obras voltadas à parentalidade, paternidade e educação, ele se expressa a partir da vivência real das salas de aula, da liderança escolar e dos bastidores da relação família-escola.  

O filho que chega em casa revela-se uma obra essencial para o cenário contemporâneo ao oferecer um contraponto à cultura da velocidade e das respostas imediatas. Ao demonstrar que a forma como um adulto reage hoje a um relato ensina e molda o que o filho decidirá contar ou esconder amanhã, resgata a importância da presença real e da reconstrução das pontes de diálogo no ambiente familiar. 

Ficha Técnica 

Título do livro: O filho que chega em casa 
Subtítulo: Um método para ler melhor seu filho sem concluir cedo demais
Autor: Cássio Mori 
Publicação: Independente 
ISBN/ASIN: 978-65-02-20312-5
Páginas: 174
Preço: R$ 34,90 | E-book: R$ 24,90
Onde comprar: Amazon e Cássio Mori 

Fonte: Assessoria

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