Diante de tua juventude inerte
Percebo os equívocos do caminho…
Calados na violência do ser
Que ora, imóvel, contemplo.
A angústia desatina
Entre lágrimas e suspiros
Brotando de minha alma em desespero
A merejar sobre tua face.
Ah! Sonhos…tão planejados
Com inúmeras promessas…
Agora jaz no lamaçal,
Perdidos e logo serão obscurecidos.
Quisera ter um membro amputado,
A dor seria amena…
Haveria um bálsamo medicamentoso
A trazer o alívio desejado.
Dor que não passa,
Dor que desgasta
Dor que insiste em se fazer presente.
Ante tua face inerte,
Um filme rebobina…
Dias de sorrisos festivos
Abraços molhados de doces e suor.
Cadernos sobre a mesa,
espalhados com lápis de todas as cores.
A mostrar uma caçada a animais ferozes
Ou a um belo jogo de futebol.
Ah…como eu gostaria
De ouvir novamente os risos e gritos pelo quintal.
A dança na chuva sem coreografia.
As pequenas descobertas diárias…
Mas, o tempo não facilita
Traz à tona o real
Nu e cru diante da retina embaçada,
Sorvendo o cálice amargo da dor suprema.
Ah! Meu senhor…
Te devolvo meu bem mais precioso.
Agradeço a alegria desta companhia
Tão jovial e alegre
Mas que enveredou por caminhos tortuosos
Das facilidades e futilidades.
Peço, meu querido, que ao despertares
Tome tino de tua situação.
Estarei contigo onde estiveres
Pulsando em pensamento ao teu lado.




