Segundo a Secretaria da Segurança Pública do Tocantins (SSP-TO), um esquema milionário investigado por vender dados sigilosos de sistemas policiais tinha base em Paranavaí. De acordo com a polícia, o principal suspeito morava na cidade, tentou fugir para o Paraguai e acabou preso nessa quarta-feira (29). Dois endereços ligados a ele em Paranavaí também foram alvo de mandados de busca.
A investigação começou após uma campanha de phishing contra policiais civis do estado. Segundo a polícia, o suspeito usava essa técnica para enganar os agentes e obter logins e senhas de acesso, simulando o sistema da própria SSP-TO.
De acordo com a 6ª Divisão Especializada de Repressão ao Crime Organizado (6ª DEIC – Paraíso do Tocantins), a partir dessas credenciais o investigado montou uma estrutura com servidores virtuais que acessava de forma automatizada os sistemas policiais e realizava consultas de dados sigilosos de pessoas e veículos. Essas informações, segundo a apuração, eram posteriormente vendidas em plataformas clandestinas na internet.
O computador usado nos crimes virtuais foi apreendido na residência do investigado, localizada em um condomínio em Paranavaí. Já em uma empresa ligada a ele, também na cidade, foi apreendida uma arma de fogo calibre 9 milímetros.

Segundo a SSP-TO, ao perceber que estava sendo investigado, o suspeito tentou fugir pela fronteira antes de ser capturado no Paraguai. Depois da prisão, ele foi entregue pela polícia paraguaia à Polícia Federal brasileira na fronteira e, posteriormente foi recolhido em uma unidade penal em Guaíra.
As investigações apontam que o esquema vinha sendo operado pelo menos desde 2024 na captura de credenciais de policiais civis do Tocantins, embora a polícia também tenha identificado indícios da atividade desde 2023. Segundo a corporação, o investigado tinha acesso a credenciais de policiais civis e militares de vários estados, entre eles Piauí, Amazonas, Maranhão e Paraná, além de sistemas de Detrans e outras bases institucionais. No Tocantins, ao menos sete credenciais teriam sido comprometidas.
Ainda segundo a Secretaria da Segurança Pública do Tocantins, o suspeito usava serviços de anonimização por VPN para tentar esconder a própria localização, simulando acessos a partir de países da Europa, do Oriente Médio e da Ásia.

Em declaração pública, o delegado responsável pelo caso, Antônio Onofre Oliveira da Silva Filho, contou que o alvo possui uma extrema periculosidade social, pois vendia dados sigilosos de órgãos de segurança pública, inclusive para o crime organizado”.
A estimativa da polícia é que, em cerca de 40 dias, entre março e abril deste ano, o investigado tenha obtido aproximadamente R$ 90 mil com a atividade criminosa. Considerando a possível continuidade do esquema desde 2023, o lucro total projetado pode chegar a R$ 6 milhões. Por decisão judicial, houve bloqueio de bens e ativos financeiros nesse mesmo valor, conforme informou a SSP-TO.

O caso também apura suspeita de lavagem de dinheiro. De acordo com a Polícia Civil do Tocantins, o investigado teria aberto uma empresa de fachada, registrada como prestadora de serviços de análise de crédito para dar aparência legal aos valores obtidos com a atividade criminosa. As diligências ainda apontaram que ele mantinha um alto padrão de vida e ostentava imóveis de alto padrão nas redes sociais.
A operação foi batizada de Rollback e faz referência a uma técnica usada para desfazer transações em bancos de dados e restaurar a integridade do sistema. A ação integra a Operação Renorcrim, do Ministério da Justiça e Segurança Pública, e contou com apoio de unidades da Polícia Civil do Paraná, incluindo a Delegacia de Estelionato de Maringá e a 8ª Subdivisão Policial de Paranavaí, além da Polícia do Paraguai e da Polícia Federal.



